coisas da grá(vida) #6


E cá estamos nós, a concluír um ciclo.
Acabou a hidroginástica para grávidas, pelo menos para mim.
Acabaram as consultas no consultório. Agora vamos para os controlos no hospital.
Acabou o curso de preparação para o parto.
É hora de começar a despedir-me da barriga. Vou ter saudades. Muitas, tenho a certeza. Saudades de senti-la protegida aqui dentro, de senti-la, à Clara e à barriga, de vê-la crescer, e mudar de forma.
Está a ser um periodo tão bom, tão bom da minha vida, que não me importava que durasse mais um mês. E sei que pode ainda durar um mês, mas será sempre um mês de despedida. A partir de hoje pode nascer. Até dia 19 de Janeiro, no máximo.

A consulta correu muito bem, mãe e filha em forma. Às 37 semanas a Clara já pesa 3,150kg e a mãe chegou aos +11kg, não está mal. Posição ótima, grande movimentação e análises perfeitas, nada de estreptococo ou coisas estranhas. Enfim, uma gravidez santa!
A única coisa que chateia e destabiliza tamanha harmonia é mesmo a p*** da glândula que não me dá tréguas. E não é que são duas?
Ah pois é! E o problema é perceber qual é a origem do problema e, ainda mais dificil, a solução. Mas uma coisa de cada vez que antes vou ter que dar à luz. De maneira que vou ter que tomar antibiótico, mais uma vez, de 8 em 8 horas durante seis dias, e tomar mais fermentos e mais sei lá o quê e no dia 1 de Janeiro, assim para começar bem o ano, lá teri que drenar a anormal. Ah, não, as anormais. E esperar, claro está, que a Clara não queira nascer mais cedo nem que as ca***s se decidam a voltar a aparecer antes do grande dia da minha mais que tudo.

E assim se vive por aqui. Já tenho quase tudo pronto para a chegada da piquena e a partir de segunda-feira (dia em que decidi deixar de trabalhar, mas não sei se vai ser possível) é gozar os últimos dias de espera.

Formigão

Desde sempre que o meu marido gosta de me chamar nomes de animais.
Ele é macaquinha, porcellina, maialina e desde que fiquei grávida maialessa, união de maiale (porquinha por causa da gordura) e leoa (porque toda a mãe é um pouco leoa mesmo quando a cria ainda só está na barriga).
Ontem disse-me que parecia uma formigona. Com duas partes bem redondas como tronco, peito e barriga, e quatro artos desporporcinalmente finos (só porque o resto está enorme, entenda-se!), os braços e as pernas.
 E não é que tem razão?

5 de Dezembro

Mais um ano se passou  na tua ausência.
Foi um ano muito cheio, este. Teria partilhado contigo tantissimas alegrias. Foi, apesar do vazio que deixaste, um ano bom. Muito bom.
Dezembro claro, tem as suas falhas. É um mês matreiro.
Depois chegou Janeiro e começamos as obras na casa nova. E depois muito trabalho, e uma operação que me voltou a dar esperanças que a estúpida da glândula não me voltasse a chatear (não foi assim, mas paciência), e depois a espera da Clara logo à primeira tentativa, e pouco depois chegou o João Guilherme, e a operação da mãe que correu bem e que essa sim, dá esperanças maravilhosas...
Foi um ano bom, como vês. Em que a única coisa que faltou foi mesmo poder partilhar toda esta felicidade contigo. E isso é também  muito. Muito triste. Mas há que pensar sempre no lado bom da vida. Erguer a testa, sacudir as feridas e sorrir. Sorrir sempre. Que a vida acaba por te sorrir também. E este ano tenho uma piolha que não pára de saltar na minha barriga que me dá imensa força. E já falta pouco para a ter aqui nos meus braços, é só, mais uma vez, esperar que passe Dezembro.

Dezembro

que começa sempre com o dia um, 1 de Dezembro, o último em que te vi, te senti o cheio e senti os teus lábios quentes contra a minha testa. Tinhas ar de sono sentado no puof de casaco grosso de lã branca. Sabiamos que ia ser o primeiro Natal que não iamos passar juntos mas tu ainda me tentaste animar a dizer que faltava pouco para nos voltármos a ver...

Clara report

Ontem tive mais um super dia quase inteiramente dedicado à piolha que aí vem.
Ele foi aula de hidroginástica para grávidas, aula de preparação para o parto, compra das últimas coisas para a mala do hospital e, por último: consulta.
Maravilha!
Com 34 semanas de gestação, Clara e a mãe são a imagem da saúde. A pequenina ganhou um quilo num mês estando a pesar 2,6kg. Já está de cabeça para baixo, pronta para vir conheçer o mundo, tem um batimento cardiaco ótimo e tudo procede normalmente. Mexe-se imenso e tem uns braçinhos muito gorduxos. A cara já não deu para ver bem, só uma bochecha rechonchuda de fugida. A mãe está muito bem, também, tendo engordado 10 quilos (neste último mês há que reduzir nos doces para não aumentar muito mais, hihihi) e não tem grandes sintomas "chatos" da fase final da gravidez. Nada de más digestões, sentir o peso da barriga ou pernas inchadas e varizes. Só mesmo insónias. Que assim continue!
A vida por aqui continua a correr à velocidade da luz, entre tabalho, muito e ainda bem, ginástica, aulas de preparação para o parto, exames finais e preparação do quartinho. Mas é bom. Muito bom.
Esperar pela chegada da Clara está a ser, até agora, a melhor experiência da minha vida.

a mãe tem sempre razão

e a minha não é excepção.
Há uns dias, quando lhe dizia e agora queria começar a trabalhar menos e a concentrar-me nos preparativos para a chegada da Clara, porque depois é Natal e depois passagem de ano e depois nasce e que queria ter tudo pronto antes das festas, disse-me estas palavras sábias da maneira que és vais conseguir estar cheia de coisas para fazer no dia antes do parto.
E olha, passados uns dias aprovaram um projecto que estava bloqueado na câmara há quase um ano e agora há que fazer medições e orçamento e projecto executivo, começei um aditamento, um projecto de recuperação e, como se não bastasse, apareceu-me uma maquete para fazer. E pronto, confusão instalada. Sim, porque isto já era bastante, mas se lhe somar a hidroginástica para grávidas, o curso de preparação para o parto, as consultas e análises, os preparativos para a chegada da Clara, as insónias e a concentração no trabalho a diminuir a casa dia que passa...então aí é que é o caos. E é assim que eu ando a mês e meio de dar à luz. A mil e com a barriga a crescer à mesma velocidade.

pensamento do dia

Porque é que não me deixam ser arquitecta em paz?
Porque é que não me deixam fazer o trabalho que me pagam como deve ser?
E já agora, porque é que não me deixam fazer em condições o que andei anos a estudar e a praticar?


coisas da (grá)vida #5

Começo a achar que quanto mais peço para ter uma noite inteira de sono, mais acordo às 4:45 e não consigo dormir mais...
Sei que este é um sintoma tipico da gravidez e que existem muitos mais e que muitos são bem piores. E que tenho muita sorte, que estou a ter uma gravidez santa. Sei disso tudo, mas não posso deixar de achar que esta coisa da natureza que te vai habituando às noites mal dormidas deve ser a única coisa mal feita neste processo tão perfeito. Sim, porque acho que estas noites, se fossem de sono bem dormido, podiam ser bem úteis daqui a uns meses. Não?

coisas da (grá)vida #4

Andas tu toda contente com comentários do género tu és só barriga, estás ótima!.Começa até a saber bem ouvir não tens uma barriga muito grande. Convences-te que até nem comes mais do que comias antes da gravidez. Fazes hidroginástica para grávidas e até algumas caminhadas e sentes-te super em forma. Gravidez deformante, puff, isso é para as outras. E depois deparas-te com esta fotografia no facebook da tua professora de hidroginástica:

Traidora, é o que é!
E agora que tenho consciência da realidade, posso voltar para o meu cantinho a dizer que estou em primeiro plano, isso não me favoreçe, nem o biquini, um bocado pequenino, nem.... e viver estes dois meses que me faltam tranquila.

Mas o pior mesmo é que escrevo este post durante uma insónia e estou a beber cházinho com bolachinhas (só três, vá) e daqui a uma hora e meia devo voltar a tomar o pequeno-almoço com o marido, hiha ha ha (riso maquiavélico).

Pronto, confesso, hoje acordei com muito mau feitio.

É um facto que volta e meia tenho ataques de furia, de nervos, de stress, o que lhe quiserem chamar. Desde que estou grávida tenho muito menos, é verdade, mas ainda assim há dias que acordo assim, que nem a mim própria me aguento.
Hoje, tenho a certeza, é porque dormi muito mal.
Das 4:45 às 6:45 (pelo menos) estive acordada. Completamente. E quando se está acorada a estas horas da noite, em que a única coisa que se ouve é o vento endemoniado lá fora e o vizinho maluco que faz banhos de emersão, a cabeça faz muitas viagens.
E esta noite a minha viajou tanto que cheguei a ficar cansada de ouvir os meus pensamentos. Fiquei esausta de reviver emoções, de lembrar eventos e de fazer listas mentais.
Quando finalmente dormia, obviamente o despertador tocou. E a roupa para recolher e outra para estender com ele. E deitar o lixo fora. E meter gasolina. E ter que sair do carro para abrir o portão da garagem e depois o do estacionamento do gabinete. E o tempo horroroso. E o vento. E tudo o que hoje me pode tirar do sério, com ele.
Ainda nem a manhã vai a meio e eu já tenho vontade de me enfiar na cama outra vez...
A única coisa que me fez sorrir (sim, porque até me doem os dentes de tão serrados que os tenho) foi a ternura do meu marido quando me enviou uma fotografias da Gisele Bundchen gravidissima e me disse que eu, e a minha barriga, somos mais bonitas. O amor é mesmo cego. E muito paciente. E um bocadinho mentiroso, vá! 

e a contagem decrescente pode começar

Hoje faltam 10 semanas para a data prevista para o parto.
10 semanas...No ínicio da gravidez, quando tudo ainda era muito novo e instável, dez semanas pareciam uma eternidade. O tempo corria muito lento de semana a semana.
Daí em diante começou a passar mais tranquilo. O tempo. Embora tranquila nunca se esteja.
A gravidez tem destas coisas, por um lado é um estado de felicidade e quase leveza nunca anteriormente experimentado, por outro aprendemos a viver com uma ansiedade que antes não fazia parte de nós. E acredito que tudo isto vá aumentar daqui a dez semanas e depois, sempre mais e mais.

A minha, de gravidez, está a ser uma espera sem sobressaltos. Tudo na normalidade.
A Clara cresce sem problemas, linda e cada vez mais rechonchuda. Eu ainda não sinto o peso da barriga, nem as pernas inchadas, nem digestões difíceis, nem quase nenhum dos sintomas de que se fala às 30 semanas de gestação. Só uma ou outra noite de insónia, mas às quais o corpo reage com uma força nunca antes vista, e um cansaço maior ao fim do dia. Ah, e  câimbras nas pernas e pés que me chegam a acordar a meio da noite.
A única coisa que me chateia no meio disto tudo é mesmo a glândula que já me chateia há mais de dois anos. Mas que vamos ignorar, eu e o médico, até daqui a 10 semanas.

De regresso a Itália

Já fomos a Portugal e já voltamos. Fomos os três e foi a última viagem de avião que fizemos antes da Clara nascer, se tudo correr bem. Ela não deve ter acahdo grande piada, fartou-se de dar pontapés quando aterramos. Ou então estava a achar aquilo o máximo. Assim espero porque a avaliar pela quantidade de vezes que lá vou e que, a partir de Janeiro, iremos, é melhor que se vá habituando!
Desta vez foi tudo corrido, tudo um pouco "desorientado". A casa estava muito diferente sem a mãe/avó por lá. Tomei sempre o pequeno-almoço na sala, fiquei sentada à mesa no meu lugar antigo que ultimamente era ocupado por ela e no sofá tinhamos imenso espaço.
Mas fiquei muito contente por ver que está a recuperar, que continua cheia de garra e vontade de vencer, mesmo estando há tanto fora de casa, mesmo estando fora de casa quando nós lá estávamos. Que melhorou, embora na sua ideia a recuperação devesse ser mais rápida. E que vai concerteza continuar a melhorar muito, e ganhar muitas forças para 2013 começar em grande com o nascimento da neta e a sua visita cá à terra para a conhecer.

Coisas da (grá)vida #3

Há dois dias fui a mais uma consulta e descobri que a minha menina deve sair ao pai porque é grande, estando acima do precentil de crescimento. Mas que posso estar calma porque ainda faltam três meses ao parto e ela pode acalmar, ou seja, pode deixar de se armar em sanguessuga do pior e engordar sem vergonha.
Descobri também que tinha razão quando dizia que ela se mexia muito e tinha muita força. O médico chegou mesmo a queixar-se que a signorina conseguia desviar a sonda da ecografia.
Confirmei as minhas suspeitas que não gosta nada de ser chateada e que se tem mesmo que ser, então pronto, lá te faz a vontade e depois volta à vidinha sossegada dela. Passou a ecografia toda de costas para nós, como na grande maioria das consultas, e quando começou a ver que a coisa ia ficar muito demorada rodou o pescoço e mostrou por uns segundos a sua carinha linda (na minha opinião de mãe babada, claro!).
E isto também explica a grande movimentação que faz dentro da minha barriga quando a levo ao cinema. Ela não gosta nada daquele volume alto porque passa as duas horas a mexer-se sem parar e com imensa força. Do género, ai é? queres ver isso, é? então toma lá um pontapé, três murros e umas cambolhotas! não vais embora? então toma lá o rabo espetado e mais uns pontapés. And so on, and so on...

Agora já se vê que estou à espera de bebé. Não há dúvidas e todos me sorriem na rua e desejam muitas felicidades. Pena que toda esta gentileza evapore quando estou na fila do supermercado e ninguém se digna a deixar-me passar à frente. Ou quando não me cedem o lugar sentada e tenho que ficar ali à espera em pé. Nestas situações tenho a perfeita noção que as pessoas fazem um esforço incrível para não me olhar nos olhos, não serem vistas a ver-me para não terem que ser cordiais. Uma tristeza. Mas se calhar é porque a minha barriga parece de grávida de pouco tempo e nem se nota que a criança que trago aqui dentro pesa já quase um quilo (920gr, para ser exacta!).

À parte brincadeiras, estamos as duas em grande forma, e isso é que realmente importa.
E agora é entrar no terceiro trimestre com o pé direito e esperar e continue a correr tão bem como os dois anteriores.

Clara, 25 semanas
com ar de queres ver a minha cara, é? então pronto, toma lá!

As coisas que o maridão encontra!


...
Aumenta o Iva, IRS e a Segurança Social
Isso é gamar com style!
...

Muito bom!

31...no bilhete de identidade

Lembro-me de ficar sempre nostalgica no meu dia de anos.
Mas com a idade estou a aprender a gostar muito deste dia. Juntar mais um ano bem vivido à conta. Olhar para a frente. Gosto. E não me sinto minimamnete estranha por ter mais um ano, velha porque são já 31, ou coisa do género. Adoro receber os telefonemas, ler as mensagens e ser mimada todo o dia. A-D-O-R-O!
Hoje tive um dia muito bom. Acordei cedinho, com sol e a companhia do maridão. A Clara começou logo a dar sinais de vida e a dar umas cambalhotas apetitosas na minha barriga.
Pequeno-almoço com direito aos pecados todos e já com tantas mensagens de parabéns para ler e aqueçer o coração, já a escaldar.
A meio da manhã a segunda aula de hidroginástica para grávidas que tão bem me faz sentir. Nada de relaxamento. Não! Aquilo é dureza que o parto também será e é preciso preparar o corpinho para a ocasião. Nada de ilusões.
A tarde encarregou-se de continuar a mimar-me, como a manhã, cheia de sol e muitas demonstrações de afecto das pessoas que me são mais queridas, tendo culminado com o meu Vascquinho a cantar os parabéns através no skype com aquela carinha de ratinho que eu só tenho vontade de comer de beijos e a meter um ....cantam as nossas almas para a MENINA TIA RITA, uma salva de palmas! Maravilhoso!
E para fechar em beleza um dia tão saboroso, só um jantar à luz das velas com o maridão.
Et voilat, foi assim o meu dia de 31 aninhos. Sem confusões. Tirando a máquina de lavar roupa que entupiu e não descarregou a água empapando duas toalhas de rosto, duas de bidet e dois roupões. Coisas levezinhas quando ensopadas, portanto. E agora tenho ali a máquina parada. Mas pronto, quero lá saber! Deixo para amanhã, que hoje é dia de festa.

contrapartida

Ora bom, a constipação lá se foi sem deixar marcas.
O antibiótico já acabou embora o problema não tenha ficado resolvido. Mas pacência, nada mais pode ser feito contra ela neste momento.
Já me sinto com força outra vez. Mas, como de cada vez que acabo o antibiótoco que tanto me deita abaixo,tenho uma fome de leão que juro, podia devorar o mundo!
Podia, sim. Havia de caber no meu estômago, havia. Mas não posso. É melhor não, vá.
Agora é ficar à espera de dia 30 de Setembro quando aterrar em Portugal, para me empanturrar de croissants e natinhas e empadinhas e tudo e tudo. Hummm, hummm, bem bom!

setembro

Este ano chegou assim, com chuviscos e o frequinho tão desejado. Muita moleza e jantares todos os dias em casa de amigos.
Só me faltava mesmo que a constipação fosse embora de uma vez.

maravilha

Sempre achei muito curiosas as minhas constipações em pleno verão. Não há nada mais estúpido que estarem 35° lá fora e eu com ouvidos e nariz congestionados e dores no corpo. E a suar o virus. É estúpido sobretudo porque fico muitas mais vezes constipada no verão que no inverno. Deve ser a minha grande resistência ao calor a fazer esta brincadeira.
Mas este ano não vem mesmo nada a calhar, raios a param.... Já a temperatura do meu corpo anda mais alta. Já transpiro mais que o meu habitual e ainda tenho que atuar isto? E, para ajudar um bocadinho mais à festa, a burra da glândula anda aqui a chatear e tenho que tomar antibiótico (que, diga-se de passagem, não queria mesmo nada...).
De maneira que de há uns dias a esta parte sinto-me, mais do que uma mulher grávida, uma senhora na menopausa, com calores. E claro, para ajudar ao efeito "envelhecimento", ando sempre com os lenços atrás. Só que não os posso meter nas mangas da camisa que está muito calor... Vou mete-los no sutiã! Ah, não, é melhor não que o meu peito já triplicou de tamanho nos últimos cinco meses, não preciso de mais volume!

uma dúvida

Ontem fiz a vontade ao maridinho e fui ver o novo filme do Batman. Acho que na altura vi o segundo da triologia, mas como os super-hérois nunca me interessaram grande coisa, não me lembrava de nada.
O filme é .... de super-héroi, pronto. Nada o meu género mas são coisas que se fazem pelo senhor Pi. Ele antes levou-me a comer a minha pizza preferida, por isso...
Agora a questão é que a miss passou o filme todo aos saltos dentro da minha barriga. Sempre. Literalmente. A certa altura meti as mãos à frente da barriga para tentar abafar o som. E depois as do pai também. E nada. Lá continuava ela. Vira para aqui, vira para ali, salta com o corpo todo, dá pontapé, dá soco e sei lá mais o quê...
Posto isto, a minha questão é: ela estava a gostar daquele barulho e emoção e tiros e lutas e golpes, como o pai, ou mortinha para que chegasse ao fim, como a mãe?

coisas da (grá)vida #2

E pronto, agora que já me acalmei (tradução: consigo pensar noutra coisa que não seja o que estou para contar) já posso gritar ao Mundo:

é uma menina!

Está ótima, cresce muito bem e farta-se de fazer ginástica. E sei que sou suspeita mas, pelas imagens da ecografia, é linda.
E agora que passaram os enjoos (só umas corridas para vomitar ocasionais, como ontem...) e o calor abrasador que se fez sentir em Itália durante quase três meses já está a passar, sinto-me muito bem. A dizer a verdade, sinto-me normal! Toda esta fase da minha vida tem uma aura de naturalidade à volta. E de paz também.
Continuo a ouvir que a minha barriga é pequena, que se estiver sentada nem parece que estou grávida, que não me disseram nada com medo que estivesse só mais gorda, ... Mas agora tenho a compensação de ouvir o meu médico dizer que sou muito "ecogénica" porque não tenho gordura na barriga e isso permite ver a pequenina de forma muito mais clara. E é por isso que tenho várias "fotografias" da carinha da Clara onde se vê perfeitamente que tem o nariz pequenino e arrebitado e umas bochechas apetitosas. E não há nada, nem nenhum comentário sobre a minha barriga (mais uma vez), que me tire esta felicidade! :)

a derreter

Sim, a derreter e farta deste calor. Desde a última vez que aqui falei do calor infernal que por terras italianas não se fez sentir um dia mais fresco que 32 graus. Mais humidade.
Isto tem sido entre os 35º e os 40º todos os santos dias. E à noite não é melhor. Uma desgraça.
O que me valeu foram os 14 dias que estive em Portugal, ao fresquinho, com vento. Foi o que me valeu.
E não sei se foi porque o meu corpo gosta é os 20/25 graus e da brisa atlântica, mas a verdade é que a minha barriga levitou enquanto lá estive e agora que voltei para estas temperaturas demoniacas tenho a impressão que está a diminuir.
Não estará, concerteza, a ficar mais pequena, mas voltou ao padrão: ah, nem se nota que estás grávida. Ou tens uma barriga tão pequenina.
E pronto, a barriga pode não me dar a satisfação de mostrar a todos o meu estado de graça, mas o meu bebé já se faz sentir. Há dois dias senti uma cambalhota e desde aí tenho sentido de tudo, desde empurrões, a socos e chutos. E não há nenhuma exclamação sobre a minha gravidez que consiga superar esta felicidade.

coisas da (grá)vida

Ontem à noite fui a um concerto. À saída decidimos ir comer um gelado e dar uma volta a pé visto que finalmente estava fresco. Ainda bem que eu acabei por não querer gelado. Ainda bem porque a meio de uma rua principal comecei a ficar enjoada, enjoada e acabei por vomitar tudo o que tinha para vomitar numa grelha de esgoto... Quando um grupo de senhoras e senhores de meia idade passaram por mim naquela condição e me olharam com olhos de reprovação, senti-me adolescente às presas com a minha primeira bebedeira!

ainda sobre este calor

A primeira vez que me vim aqui queixar do calor este ano foi há quase 15 dias.
Pois, o grande calor ainda não deu tréguas. Aliás, piorou. Chegamos quase todos os dias aos 40º e eu estou mais para lá do que para cá.
Tenho a tensão sempre nos mínimos consentidos para sair de casa e fazer alguma coisa que não seja estar paradinha no sofá ou na cama a dormir e a tentar gastar o mínimo de energias possível.
A cabeça que pareçe que vai explodir de tanta dor e, para piorar a situação, ainda tenho enjoos matinais muitas vezes acompanhados com vómitos.
Maravilha!
Sim, estou em estado de graça e é muito bom. Acabo por esquecer todos estes inconvenientes, mas não tenho graçinha nenhuma. Ando pálida, cansada, a arrastar-me pelos cantos e sempre a queixar-me da cabeça que me dói.
Se já antes não aguentava o calor e só sonhava com o inverno quando as temperaturas atingiam estes níveis, agora só penso em congeladores para enfiar a cabeça.

Entre futebol, a morte e a vida.

Passei os 90 min de jogo e os primeiros 15 de prolongamento cheia de esperança e de nervos. Como boa portuguesa aos 110 min, quando a Espanha começou a mostrar as garras, encolhi-me no sofá. Depois foi ver o que se viu...
É claro que fiquei triste e com aquele sabor amargo na boca que todas as almas lusas ficaram. Mas hoje à noite tive a minha recompensa. Voltei a encontrar-te em sonhos.
Na nossa casa ainda se entrava pela porta lateral e o ambinete era de festa. Estava a voltar de Itália e a tia Helena vinha-me a falar de uma receita de bacalhau. Foste a primeira pessoa que vi ao abrir a porta, estavas à porta da cozinha, com uma t-shirt branca e os cabelos curtinhos e não abrimos boca. Ficamos só abraçados, e abraçamo-nos sempre e cada vez com mais força. Dei-te um beijo no pescoço e tu de lado nos meus cabelos. Senti o teu cheiro, que já não era de roupa lavada ou do teu prefume, mas de jasmim. E senti uma paz imensa.
O despertador tocou e eu fiquei ali, deitada na cama em êxtase. Feliz, calma e sem a sensação de angústia que antes sonhar contigo me trazia.
Sim, porque desde aquela noite de 6 para 7 de Maio quando tu, antes de todos, me deste um beijo na testa e me disseste Parabéns, vais ser mãe! nunca mais pensar em ti, e na tua morte, me deixou com um aperto imenso no coração. Continuo triste, é claro, mas agora tenho uma vida a crescer dentro de mim, e isso dá-me muita força.

o melhor do Europeu de futebol

Ter um maridinho que sabe o hino nacional português de cor e que o canta logo pela manhã seja em versão original seja sem versão italiana.
Estar a aprender o hino italiano. Já me faltam poucas palavras para o saber tudinho.
Ver os jogos com os comentários do meu paizinho em directo no telemóvel.
Ter a minha seleção a jogar bem e a minha segunda seleção também.
A esperança de ter um  Portugal-Itália na final e poder pintar a cara com as cores nacionais e a barriga com as duas bandeiras.

Está a ser ótimo este Europeu, sim senhor!


Uma vez por ano

tenho que vir aqui para me queixar do calor.
É que não se aguenta...às 9 da manhã já estão 28º à sombra. Vento nem ponta dele e por volta das 12h tocamos os 36º.
O meu corpo não aguenta isto. Mil vezes o Inverno...

Pronto, afinal o Cristiamo Ronaldo até faz alguma coisa!

E ontem gostei muito de vê-lo jogar. Até merecia ter marcado mais.
E que agora Portugal continue assim, que está muuuuuuuuito bem. Até as mudanças de penteado a meio do jogo ganham um sorriso carinhoso! Oh p'ra ele tão lambidinho depois do intervalo!

Não percebo nada de futebol

admito. Muitas vezes nem sei para que lado têm que correr os jogadores. Mas gosto de ver a seleção. É Portugal, pronto!
E volto a repetir que não percebo nada, mas eu tenho que dizer que do Cristiano Ronaldo não gosto nada! Ele até pode ser muito bom lá no Real Madrid, não sei que não vejo. Mas na seleção era melhor que não estivesse! Não faz nada. Não, minto, faz! Reza aos céus, faz fitinhas, abre muito as pernas quanto tem de marcar livres ou lá o que é, bufa aos santinhos, e depois...bola ao lado, acima, e só não é para baixo porque as leis da fisica e do campo de futebol não permitem.
Se calhar tenho má memória, mas ele já marcou algum golo por Portugal?
E pior...é capitão da equipe. Porquê? Porquê, sr. Paulo Bento? (e este também daria pano para mangas...)
Um capitão que é um campeão lá fora e cá dentro não faz nada e ainda por cima vai dizer que se tivesse uma mala cheia de dinheiro (se? se tivesse? porquê, não tem?) apostava na Espanha. Na Espanha? Vergonha nessa cara uma vez cheia de borbulhas! Ah, pois, se calhar gastou as malas todas de dinheiro a tratar do acne...

E 6 meses depois...

...finalmente tenho a carta de condução italiana.
SEIS MESES para acabar com a carta portuguesa e ter a carta italiana. Que eu nem queria, gosto de ter todos os documentos tugas e tive que destruír a carta, mas aqui existem estas regras estranhas e muito convenientes para o estado italiano visto ter gasto uns bons 150 euros com esta brincadeira.
Eficiente, ahm? E logo a mim tinha que me tocar ter mais documentos italianos que portugueses na carteira?

do meu ser portuguesa, ou minhota, em Itália

Hoje, pela segunda vez, enquanto tomava o pequeno-almoço na esplanada de um café que tem muitos lugares de estacionamento à porta, vi os dois policias a estacionar o jipe no meio na via, reduzindo a porção de estrada a uma faixa de rodagem e tirando muito espaço de manobra ao lugar de pessoa com mobilidade reduzida.
De notar, também, que eram 7:30 da manhã e o estacionamento estava praticamente vazio tendo os senhores agentes de autoridade mais de 20 lugares à disposição para deixar a viatura.
Ora, uma vez já me irritou. À segunda percebo que é hábito e então vai de mim e dirigo-me aos senhores agentes com o ar mais inocente que consegui fazer:
Desculpem, posso fazer uma pergunta?
Sim, diga!
Onde estacionaram o vosso carro é lugar de estacionamento?
Ah...não...
E então porque é que lá está?
(silêncio e um encolher de ombros)
Mas desculpem...os senhores não deveriam dar o exemplo?
(ainda o silêncio que me estava a deixar maluca)
A mim quer-me pareçer que sim...Tenham um bom dia.
Para ti também...

Do pior.
Eles, os italianos, até podem ter muita graça com o seu ar descontraído, de que nada, nem nenhuma lei neste País hiper burocrático, os afeta. Mas a mim certas coisas tiram-me do sério. Aqui pago as minhas taxas, faço malabarismos para ter todos os papéis em ordem, e portanto exigo que pelo menos o exemplo venha de quem tem que vir. E tenho dito.
É claro que amanhã, se passar à frente do café vou ver a mesma cena. Até porque o empregado, que ouviu a conversa, ainda teve a lata de se rir de mim com os polícias e dizer nem sequer está estacionado no lugar dos deficiêntes. E volta e meia apareçem estas personagens. 
Deixa lá, caro anormal, no teu café nunca mais ponho os pés!

Fome, fome, fome, fome, fomeeeeee

Tenho que dizer isto muitas vezes. Ou as vezes necessárias para a palavra perder o sentido. Assim pode ser que deixe por um segundo de pensar que tenho fome, preciso de quero comer, ai se não como desmaio.
E talvez evite trazer para o gabinete uma laranjinha qual menina bem comportada e acabe por, numa saída em trabalho, voltar para aqui com uma fatia de pizza (pizza branca com rosmaninho, vá...mas é sempre hidrato de carbono do pior!) e um suminho de limão.
Estás a ficar gordaaaaaa. E só uma vez, que é para ter todo o sentido!

À mãe mais Bacouca do Mundo

O dia da mãe é a 8 de Dezembro. Isto é o que diz a minha. Para mim, a melhor.
E é por isso que hoje, mesmo sendo uma festa comercial e inventada, eu lhe dou um beijo virtual. Lhe digo que a adoro. Lhe agradeço tudo o que fez e faz por mim e sobretudo por tudo o que me ensinou e pelo exemplo de força, coragem e determinação que todos os dias me dá.

Prova superada

Isto de ter casa nova tem muito que se lhe diga. É que agora tenho casa de gente grande, com sala espaçosa, cozinha separada e dois quartos e portanto tenho de me comportar como adulta que sou. Ou seja, tenho que dar almoços e jantares, não só para inaugurar a casa mas para me fazer valer como senhora Conti! Ah pois é! De maneira que, depois de vários ensaios com amigos, no dia 25 (que aqui também é feriado e curiosamente também se festeja a Liberdade) convidei a famiglia para almoçar lá em casa. Eramos nove e eu, não paga, arranjei uma dificuldade acrescida. Foi do género, o primeiro nível já passei: a cozinha portuguesa, então bora lá para o segundo nível: cozinha italiana. Arrisquei um game over, é verdade, mas correu bem e acho que ganhei vidas!
Juro que queria ter tirado fotografias a tudo, mas deve ter sido o stress que me fez esqueçer tudo a que me tinha proposto. Queria ter guardado memória da mesa longa, das flores no centro da mesa, do antipasto, primo, secondo e dolce que fiz. E sobretudo da satisfação dos meus convidados a fumar charuto na varanda.
Fica para a próxima. Lá terá que ser!

Está visto

Uma coisa de cada vez não é mesmo possível. Isto tem que ser tudo ao mesmo tempo.
Quando tiver um bocadinho de tempo só para mim venho aqui e conto.
Agora tenho que ir que tenho tanta coisa a fazer ao mesmo tempo que se me distraio o mais provável é que arda.

Abril entre Portugal e Itália

Em Abril águas mil. É verdade, não tem parado de chover.
Aprile, dolce dormire. Confirmo, tenho tido grandes conversas com a minha almofada e enormes discussões com o despertador.
Muito acertiva esta sabedoria popular, sim senhora!

Bem me parecia

que não ando lá muito concentrada.
Se não vejamos:

No outro dia estava a tratar de pagar as últimas contas pendentes quando me apercebo que me faltam 250 euros na carteira. A primeira coisa que pensei foi que o Filippo tivesse pegado para pagar também ele alguma coisa. Não tinha sido.
Ah, então perdi! Ou roubaram-me. Mas quem? Não pode, devo ter perdido! Mas onde? Só se foi num dos sítios onde estive ontem a pagar outras contas...Vou lá ver se por acaso foi assim...
Depois de fazer e refazer as contas, de fazer e refazer o percurso do dia anterior e de estômago embrulhado completamente convencida que os 250 euros tinham  ido para o tecto, lá fui eu perguntar nesses dois lugares onde tinha estado no dia anterior se por acaso tinham visto o meu dinheiro. Se por acaso me teria caido da carteira no momento do pagamento ou, mais absurdo ainda, não teria dado duas ou três notas juntas por engano.
Está claro que não.
E agora? Nunca me aconteceu uma coisa destas na vida...que nervos, é muito dinheiro...
Vinha eu nestes pensamentos auto-destrutivos e de culpabilização quando do nada me vem em mente:
Ontem também paguei a contabilista! Ah-ah! Foi isso!
E toda contente voltei ao trabalho com a questão do dinheiro resolvida.

Hoje ao fim da manhã olho para o dedo e não vejo o meu anel de noivado.
Não! O anel de noivado não... eu sabia que o devia ter mandado apertar! Eu sabia!
Mas espera lá. Não me lembro da sensação de tê-lo no dedo na rua. Mas sei que o meti de manhã. Tenho a certeza! Tem que estar em casa.
Chego a casa e lá me meto à procura. Procuro primeiro em cima das mesas. Nada. Debaixo dos móveis. Nada. Depois começo a ver dentro das carteiras. Nada. Se calhar caiu no lixo. Vejo no lixo. Nada (ah, uma vez estava dentro do cesto da roupa suja, caiu-me do dedo para lá. Como hoje deitei coisas ao lixo...pronto! Pensei...mas não!).
Merda...só pode estar no gabiente! Talvez dentro da bolsa do portátil...
Mas não..Faz percurso a pé. Vê debaixo da mesa. Nada.
Pensa. Pensa. Pensa. E outra vez o aperto na barriga.
Tenho a certeza que o meti de manhã. Mas não me lembro de o ter no dedo na rua...Isto era-me bem claro. E plim! Deve estar no parapeito da janela da casa de banho. Tirei para lavar as mãos. E não é que estava lá mesmo?


Ah...hoje de manhã, assim por acaso, fui a um dos lugares onde supostamente tinha perdido o dinheiro. Disse-lhe que afinal o dinheiro tinha era sido gasto. Hoje à tarde voltei lá a ver se por acaso o anel não estava lá. Agora vou ter que lhe dizer que esatva na minha casa de banho. Coisas da vida...ou da minha vida.

Para já

Ainda estou a aterrar.
Ainda não acerto com um único interruptor lá em casa.
Ainda não sei o que vestir de manhã.
Ainda não sei bem qual é a melhor cadeira para me sentar a trabalhar.

Ainda não sei muita coisa...
Mas a vida continua a andar.
E todos os dias tenho que me levantar e acender a luz.
E vestir-me e vir trabalhar.

Tenho muito para contar. Mas mal começo a tentar organizar uma frase as ideias começam a confundir-se. Afinal de contas foi tanta coisa em tão pouco tempo.
A minha vida, de um momento para o outro, ficou toda diferente. Não na substância, mas na forma. E isso é já muito!

Tudo se começa a compor agora. Já não ando com um ritmo alucinante de entregas encadeadas. A casa já tem todas as divisões arrumadas e no gabinete só falta mesmo a internet a funcionar bem.
Mas ainda não tive tempo para tirar fotografias. Nem para organizar bem a agenda. Ou para organizar bem os pensamentos. E isso também é muito importante.

i'm "flying" home for

Not for chistmas but for vacations!!!
Mais uma vez no aeroporto. O trajecto é o do costume. Roma-Porto. Já estou mais que habitada. Já sei onde tenho que despachar a mala sem ver o painel e até já posso adivinhar a porta de embarque. É tudo muito rotineiro.
Mas desta vez parece que não faço isto há muito. Aconteceu tanta coisa neste início de ano que nem sei por onde começar. Para iniciar digo que ainda tenho muita adrenalina no corpo, tal foi a correria em que andei. E que as duas últimas noites de sono ainda não bastaram para me restabelecer. E que tenho muita esperança nestes dias na terrinha!
Agora que a loucura acabou olho para trás e não sei como consegui fazer tudo.
Obras e mudança de casa. Operação e convalescenca. Nova versão de um projecto e entrega na câmara em tempo relâmpago com reuniões com os clientes pelo meio. Entrega de um concurso cocoordenando um grupo algo preguiçoso. Entrega e apresentacão a toda a cidade de uma Maquete 1:500 de 1,60x1,10m.
Correu tudo muito bem. Estou satisfeita e com o ego lá em cima depois de ter recebido os parabéns de todos! Admito! Mas agora vou só ali para o avião dormir um bocadinho, sim?

E mais uma vez se confirma...

...que a vida nunca é como se espera. Não vale a pena fazer muitos programas. Projetar sim, ter uma linha guia, objectivos. Mas nada de muitas fantasias.
Ontem fez um ano que me casei. Sempre pensei que comesse a fatia de bolo que congelei. Que fosse jantar fora com o meu maridinho e quem sabe vestisse o meu vestido só para me voltar a sentir bem como naquele dia.
Qual quê! O dia inteiro a trabalhar para a entrega que tenho amanhã. Depois de dois meses sem fins- de-semanas. A única pausa que tive nesta época louca foi a noite no hospital, por incrível que pareça.
Conclusão: toda rota. Cabelos sujos. Depilação por fazer. Vestida como calhou melhor pela manhã e umas grandes olheiras. Pequeno-almoço à pressa. Almoço a primeira coisa que apareceu e jantar também bastante rápido que o sofá chamava com tom muito imperativo.
Vimos um filme. Habemus Papam. Já foi bom que consegui não trabalhar à noite também e me aguentei até ao fim.


Amanhã acabam as entregas (por agora, espero!) mas só para complicar mais um bocadinho a minha vidinha, tenho consulta de controlo para ver se o assunto ficou resolvido com a operação meia hora depois da hora da entrega. No outro lado da cidade. É bom, é.
Tenho cá para mim que sexta-feira vou dormir a viagem toda.

tortura é

Ter o marido no ikea a comprar o que andamos a escolher por catálogo durante meses e eu aqui deitadinha na cama.

Claro, há que ver o lado positivo da coisa. Eu estou aqui a descansar enquanto ele carrega tudo como um mouro. Mas aposto que no meu carrinho havia espaço para mais uma velinha, um vasinho, uma almofada. Aposto.
Lá teremos que voltar, quando estiver boa e esta fase de correrias mil passar, para comprar tudo aquilo que é desnecessário numa casa mas fundamental num lar.
Oh que chato! :)

Só para complicar mais um bocadinho...

...um mês que já estava a ser uma grande confusão, na terça-feira fui ao médico.
Quinta-feira às 7:30 da manhã apresenta-te no hospital que te opero. Tiro-te essa glândula e resolvo-te o problema.
E assim fiz. Passei a quarta-feira a resolver coisas de última hora. Na quinta de manhã lá fui de manhã, sem comer nem beber nada e assim fiquei até à noite. Fiz durante toda a manhã exames e à uma dei entrada na sala operatória para sair uma hora depois meia tonta e sem a parva da glandula que de há uma ano e meio a esta parte me andava a chatear a cabeça.
Dormi uma noite no hospital, quase sem dores, apenas com a cabeça muito pesada e saí ontem praticamente como nova!
Agora é descansar até segunda e esperar que possa voltar ao ritmo alucinante em que estava que se já tinha pouco tempo antes de estar parada 4 dias, agora já me estou a ver a trabalhar de noite...
Estou mortinha que chegue meados de Março para poder respirar.
E agora vou ali ver a minha casinha nova que está quase pronta mas a velha já está ocupada. Sim, estou a viver numa espécie de limbo que é a casa da Ida, a avó do Filippo. Com caixas, caixotes e cabides na sala. Uma grande confusão!

Silêncio

Fevereiro começou a abrir.

1º semana:
Obras em atraso e a data da mudança a aproximar-se.
A glândula a chatear mais uma vez.
Trabalho, muito trabalho, a entrar no gabinete.

2º semana:
Início das obras. Explica daqui, corrige dalí. Vai à obra. Volta para casa e contínua a trabalhar. Responde ao telemóvel. Volta à obra. Regressa a casa.
Problemas com o trolha que lhe passou uma coisinha má pela cabeça, passou-se a abandonou o barco qual Schettino. Entrada de um novo grupo e tudo de novo a andar, assim como o meu coração e estômago que estiveram ali um dia bem embrulhadinhos.
Começar a empacotar coisas, aos poucos que o tempo é pouco.
Antibiótico três vezes por dia, que dá saúde e... pouca energia.
Entregas a um ritmo alucinante.
Sensação de passar o dia a correr de um lado para o outro a fazer a fazer e a fazer mais coisas e chegar ao fim do dia sem nada concluído. Como se estivesse ainda no mesmo lugar.

Hoje:
A natureza decidiu parár todos. Chega. É demasiado barulho, burburinho e agitação.
Hoje abrigou-nos a passar o dia em silêncio. E que bom que é.

Fevereiro

A senhora já saiu de casa. Acabou de tirar tudo no domingo. Só.
O apartamento onde estamos está alugado a partir de dia 20 de Fevereiro.
Segunda-feira era dia de começarem as obras. Era.
A semana começou com uma vaga de frio.
O trolha que nos vinha desmontar a casa de banho e cozinha ficou doente. Febre altissíma.
Estamos à espera que melhore e entretanto eu também fiquei doente.
Está a nevar lá fora.
E agora é aproveitar o silêncio. Respirar fundo sabendo que há de chegar o dia em que ninguém nos vai parar.
Em que ninguém nos poderá parar porque vamos ter o tempo a apertar.
Fevereiro promete.

É hoje! É hoje! É hoje!

É hoje (caso ainda não se tenha percebido!) que a senhora vai embora da casa que será a nossa.
É hoje o último dia de calma antes de começar a entrar com canalizadores, elestricistas, trolhas, pintores, carpinteiros, etc e tal.
E que bom que vai ser! Estou ansiosa que começe a correria, a confusão e que tenhamos que tomar decisões definitivas. Até vou transferir o gabinete para a nosso (actual) apartamento, só para poder controlar melhor a obra. Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Apaixonada por

Não sei muito bem que título dar a este post

Se Quando fôr grande quero ter um nome mais pequeno #2
ou Finalmente sou uma mulher casada em Itália

É que hoje começei a manhã na anagrafe que é o mesmo que dizer que passei umas horas no Arquivo ou Recenseamento ou lá o que é.
Pelos vistos chegaram sozinhos à conclusão que me faltava um da no meu nome. Que nos documentos italianos não estava escrito mas que aparecia no acto de casamento português. E que, portanto, era preciso mudar tudo. 
A essa conclusão já eu tinha também chegado, e sinceramente fiquei positivamente surpreendida que não tivesse de ser eu a chamar a atenção e a levantar poeira. 
Passaporte para aqui, carta d'identità para lá, o nome na anagrafe ficou rectificado e já tenho o documento identificativo corrigido. Agora há que mudar tudo o resto: carta de condução, codice fiscale, partita iva, tessera sanitaria,...
Parece fácil? É...Mas não é!
Basta pensar que casei há quase um ano e só hoje, exactamente dez meses e 6 dias depois, estou oficialmente casada perante o Estado Italiano. E é por isso que a ideia de mudar estes documentos todos me tira o sono.

Ah, e já me ia esqueçendo de contar. Tentei começar pelo mais fácil: a carta de condução. E não é que a Direcção Geral de Viação decidiu meter que o meu nome é Rita de Aragão da Rocha Peixoto e o apelido Cameira? Ah pois é! Está mal meus senhores. Está mal. O meu nome é Rita e o apelido todo o resto do ambaradam.
E agora a pergunta é: será que na Direcção Geral de Viação Italiana me vai criar problemas?
Hummm...stay tuned!

Ninguém merece

Ir buscar o carro à garagem e ver marcado, em dois dias consecutivos, -1 grau / possível gelo na estrada.
Começar a sair de casa e, apesar do sol brilhar com toda a sua força, não conseguir meter as mãos no volante de tão gelado. E o safado do termómetro contínua a descer.
-2.
-3.
Sair do carro e sentir o ar gélido a entrar nos pulmões. Nem camisola interior, camisa, camisolão, casação e grande cachecol conseguem contrariá-lo.
E pensar que meia hora antes estava no quentinho da minha caminha. Não é justo.
Possível gelo na estrada...Possível gelo na estrada? Estalactites no meu nariz, é o que é. Devem estar a gozar comigo, os tipos da Fiat.

Da vida e da morte, em Itália

De quando em vez vê-se, na porta de uma casa, na montra de uma loja, um laço. Significa que ali se festeja a vida. Que nasceu uma criança. Um filho aos donos da casa, do café, da loja. Quem passa fica a saber que aqueles foram abençoados pela vida e, se o laço for cor-de-rosa, deram as boas-vindas a uma menina, se fôr azul, a um rapaz. E ao vê-lo não consige evitar um sorriso (pelo menos eu não).
Não há dom melhor que o da vida e eu acho fantástico que venha partilhado desta forma tão doce.
Mas, em contrapartida, aqui também se expôe quem morre. Em vários cantos da cidade existem painéis onde se pode anunciar a morte de um ente querido, apresentar os sentimentos à família, relembrar quem partiu há um mês, um ano,... E eu, passando, fico sempre com uma sensação de vazio, de tristeza. Tantas vezes são mensagens acompanhadas de fotografias, demasiadas vezes de jovens. Sinto raiva, desconforto. Penso no que a família está a passar. Relembro o que vivi, e sinto de forma ainda mais cerrada aquele apertar de estômago que me acompanha há mais de um ano...
Mas a vida é mesmo assim, inevitavelmente se inicia tem que acabar. O problema é que este painel varia de dia para dia, mas os laços não se veem sempre...

Ano novo, casa nova

Este inicio de ano está a ficar marcado pela mudança de casa.
Vamos perder um andar e portanto vamos ter menos 17 degarus para subir ou descer mas também vamos perder a luz e a vista maravilhosas. A grande contrapartida será a sala maior, a cozinha separada e o segundo quarto. Acho que é uma boa troca.
Mais, desta vez vamos ser nós a mobilar o apartamento, o que significa que vamos poder fazê-lo muito mais à nossa imagem. Claro que a crise obriga a contenção, muita conteção. E é por issos que andamos a braços com o Ikea.
Ele é catálogo, sitio de internet, desenhos cad para ver se cabe tudo e, last but (absolutely) not the least, passar 8 horas inteirinhas de um lindo domingo de Inverno cheio de sol e frio infiados no Ikea a ver se o que tinhamos seleccionado estava bem escolhido, a mudar de opinião e a confirmar opcões estudadas.
No inicio a coisa correu bem. Chegamos lá à uma e o pessoal estava todo a encher a barriguinha. Até às três da tarde estivemos bastante à larga, conseguiamos andar bem e apreciar com alguma distância os móveis em exposição. Hora em que começei a sentir a cabeça a rodar. Ainda não tinhamos almoçado e portanto foi o que fomos fazer. Quando voltamos deparamo-nos com uma maré de gente a fazer a digestão, o passeio higiénico, o que lhe quiserem chamar! Uma grande confusão e a certa altura já nem viamos nada, já nem decidiamos nada e quando às 8h chegamos ao carro estavamos desfeitos. Mas pronto, pelo menos os móveis ficaram todos decididos, já não é nada mau.
Ah, e para a crónica, consegui sair de lá sem comprar nadinha! É impressionante o que o cansaço faz...Só que agora pensar em ter que voltar lá para comprar tudo o que escolhemos até se me aperta o estomago!

Época festiva

Estamos mesmo quase no fim das festas. Dezembro já acabou. Já passou mais um Natal com sabor agri-doce e uma Passagem de Ano sem a sensação de que qualquer coisa pode mudar.
Penso que me consegui aguentar bem nestas festas. Mesmo que a época me traga sempre alguma nostalgia. E agora, mais que nunca, muita saudade. Consegui continuar a sorrir mesmo que por dentro não tivesse grande vontade. E continuar a brincar e a tentar desdramatizar. No fundo, acho que consegui manter o meu equilibrio. E sinto-me orgulhosa por isso.
Mas agora que as festas estão a acabar, que daqui a dois dias é altura para começar a desfazer tudo e seguir em frente, que será tempo de fazer de conta que não fiz de propósito ao deixar passar o Natal e a entrada no Ano Novo sem escrever aqui, não posso deixar de lembrar que hoje, dia 4, a minha mãe faz anos.
Se em quase todas as casas as festas acabam com os Reis, eu habituei-me a concluí-las no seu dia de anos. E portanto hoje não o podia deixar em branco. E portanto:

Muitos parabéns Mãe. Que este novo ano que hoje começa a contar seja o da recuperção da força, da garra e do otimismo que sempre lhe conheçi. Um beijo com muito amor.