Esta noite, no meio de muita confusão, disseste-me:
Eu sei que tu estás sempre disposta a ajudar-me. Acredito e confio em ti.
É verdade. 
Mas agora és tu quem vai ter que me estender a mão.

Quando for grande quero ter um nome mais pequeno

Há uns dias fui parada pela policia numa daquelas operações stop muito tipicas da época natalicia em que páram todos às 15h numa de caça à multa.
Antes de parar penso: documentos em ordem, beber não bebi, isto vai acabar bem rapidinho.
Qual quê. Isto ainda estava era a começar.
Um policia olha para a carta de condução portuguesa e bilhete de identidade italiano e afasta-se. Fala com o colega e chama-me. Queres ver que é mais um burro que não sabe que portugal faz parte da comunidade europeia?

Há quanto tempo está em Itália? 
Quase quatro anos. Algum problema com os documentos?
Não, não. A menina pode circular com carta portuguesa. O único problema é que a carta de condução italiana tem validade de 10 anos. Em portugal não é assim. Mas como a menina reside em Itália há mais de um ano, a sua carta tem de ser conforme às nossas regras. E como segundo a nossa lei a sua carta caducou em Janeiro deste ano, eu até lhe podia passar uma multa.
(sorriso de menina perdida de quem não sabe nadinha da vida e está ali por acaso.)
Ah...não sabia disso senhor agente. (e por acaso não sabia mesmo...mas podia ter imaginado, visto a burocracia italiana...) Ainda no outro dia fui mandada parar por um colega seu que não me disse nada. E agora?
A multa não lhe passo mas vai ter que ir a uma escola de condução resolver o problema. Basta colar um papelinho na parte de trás da carta.
Obrigada senhor agente...

Hoje fui à escola de condução. E fui aconselhada a não meter o tal papelinho mas sim a fazer a carta de condução italiana. Sabe, o papelinho pode descolar, e pode ter problemas noutros paises que não compreendem a presença do papel...
Está bem. Fui tirar as fotografias que me faltavam e voltei.
Passo-lhe os documentos e digo:
Atenção que nos documentos portugueses o meu nome tem um DA que os italianos não têm.
O que fui dizer...
Como assim? Isso vai-te dar problemas. O melhor é ires mudar os documentos italianos todos por causa desse DA. 
Sim? Oh caramba... faz assim tanta diferença ser Rita de Aragão DA Rocha Peixoto Cameira ou simplesmente Rita de Aragão Rocha Peixoto Cameira?
Faz. Esse DA muda o apelido todo. Pode ser outra pessoa.

Pois, eu sei, o meu nome original é muito mais bonito, ou pelo menos a mim soa-me muito melhor, mas não me formalizo. Se me chamarem só Rita Cameira eu respondo na mesma, mesmo sabendo que há muitas. Mas Rita de Aragão Cameira acho que já sou só eu. Se lhe acrescentarmos Rocha Peixoto, com ou sem DA então é que não há mesmo dúvidas.
A minha dúdida agora é só uma. São os italianos a complicar-me a vida pelo DA ou os portugueses que a complicam sozinhos com tanto nome?
E agora quero ver quanto vai ser longa a epopeia de mudança de nome...

E (inevitavelmente) chegamos a Dezembro...

Hoje, inevitavelmente, começou-se a ouvir músicas natalícias na rádio, as cidades já começam a estar enfeitadas, já se começam a combinar jantares e começam as movimentaçoes nas lojas (pequenas, inversamente proporcionais à crise, é claro...).
E não obstante o esforço tremendo que tenho feito para me abstrair que já é Dezembro, que faz hoje um ano que me deste o último beijo na testa e me disseste até Janeiro, faz boa viagem e te deixei na salinha, à frente da mãe, que daqui a uns dias já passou um ano, que daqui a poucas semanas será Natal e depois a passagem de ano e supostamente devemos reiniciar, e reinventarmo-nos, não consigo...
Queria ser catapultada bem lá para a frente, para Janeiro quando começarem as obras na nossa casa nova e tiver muitas coisas boas em que pensar. Mas não posso.
E no meio deste meu devaneio vieram-me à cabeça umas palavras que me escreveste há 7 anos (ainda bem que eu guardo tudo, vês?)

(...) O pai disse-me que este ano não ia haver Natal, mas ele deve se ter esquecido que a melhor prenda vem directamente de Itália, e de avião!! Acho que isso chega para nos encher o coração a todos e termos o melhor Natal dos últimos anos, sem grandes balbúrdias, deslocações ou festas, mas todos juntos, novamente reunidos! (...)
Afonso, 19.11.2004

E penso que este Natal (que queria tanto que não houvesse) o meu melhor presente só poderias ser tu. E o que era mesmo bom era que o sonho que tive no outro dia fosse verdade e tu estivesses preso por 3 anos não sei por que crime, provavelmente por nos privares da felicidade de ver os teus olhos cor de mel...

Visão Estratégica

No dicionário by Ritália, ter visão estratégica é aproveitar os anos do marido para lhe ofereçer um fim-de-semana de relax num palacete recuperado com spa perto de San Marino para duas pessoas para que ele e a sua mulher possam descontrair depois de meses de entregas consecutivas.
De maneira que vou ali fazer a mala e venho já. Bisuuuuuu

do meu ser luso-italiana #2

Quando cá cheguei era uma coisa que me irritava bastante, a chico-espertiçe italiana. E ainda agora muitas coisas me deixam fora de mim. Como ninguém parar nas passadeiras e os condutores acharem que têm sempre razão. Que quando se quer que uma coisa seja feita é preciso estar sempre em cima, a ligar, a pressionar. Que nunca chegam a horas. And so on. And so on...
Mas admito que assimilei algumas caracteristicas típicas dos italianos. Muitas coisas que no inicío me pareciam estranhas e irritantes agora até já fazem algum sentido. Já me vejo, com a maior naturalidade do mundo a fazê-las. Como a atender o telefone como se tivesse sido eu a ligar. Adoro!
É uma boa maneira de despistar as pessoas e nem pareçer que me tinha esqueçido que tinha ficado de o fazer. Mais, com tamanha confusão normalmente as pessoas esqueçem-se de metade do que te tinham para dizer. Portanto não dizem e eu posso continuar a minha tarde de sexta-feira tranquila da vidinha!

Love out of lust*



Rather die in your arms, than die lonesome
Rather die hard, than die hollow
The higher that I climb
The deeper I fall down
I'm running out of time
So let's dance while we're waiting

We will live longer than I will
We will be better than I was
We can cross rivers with our will
We can do better than I can
So dance while you can
Dance cause you must
Love out of lust
Dance while you can

Rather live out a lie than live wondering
How the fire feels while burning
For life is like a flame
And the ashes for wasting
So honey don't be afraid
To dance while we're waiting

We will live longer than I will
We will be better than I was
We can cross rivers with our will
We can do better than I can
So dance while you can
Dance cause you must
Love out of lust
Dance while you can

So tired of waiting
Come baby
So tired of waiting
Come baby

We will live longer than I will
We will be better than I was
We can cross rivers with our will
We can do better than I can
We will live longer than I will
We can cross rivers with our will
We can do better than I can
So dance while you can
Dance cause you must
Love out of lust
So dance while you can

Love out of lust
Love out of lust
Love out of lust


*Lykke Li

Contra o meu "Oficialmente fora de forma"

Já não metia os pés no ginásio há mais de um ano. Por todos os motivos, e desculpas, possiveis e imaginários, é verdade. 
Porque no ano passado inscrevi-me em Outubro e passado dois dias fiquei doente, em casa, mais de quinze dias. Melhorei, paguei Novembro e voltei a ficar doente mais uns dez dias. Porque depois chegou Dezembro e passei o mês todo em Viana pelo triste motivo que se sabe... Depois chegou Janeiro e ainda não estava completamente boa e estive mais uns dias em Viana e depois na neve. E a seguir foi Fevereiro e nem valia a pena porque depois era Março e casei. Depois chegou Abril e olha, também eram só mais dois meses e o curso de ginástica já ia demasiano avançado (sim, porque eu sigo um curso, daqueles que vão aumentando a dificuldade gradualmente). E depois foi Verão e não há curso.
De maneira que chegamos de novo a Outubro e ao recomeço do curso. Mas ainda estava meia meia. A meados de Outubro tive autorização para recomeçar a ginástica. Mas já estava a meio do mês...Chegou Novembro e fui uma semana a Viana. E depois pensei: Já estamos a meio do mês...vale a pena pagar por quinze dias? Vale vale se não nunca mais recomeço! E foi o que fiz ontem. Recomeçei a ginasticar.
Ontem tive a minha primeira aula de Pilates. Que é como quem diz, estive uma hora deitada num tapetinho a  aprender a respirar. Fizemos algum esforço nos abdominais, lombar e gluteos, mas digamos que foi muito devagar. Foi uma boa maneira de reiniciar, pelo menos hoje não estou quem nem posso como das outras vezes. Bem bom!

Bem nos ensinaram na Rua Sésamo!

do meu ser dona de casa

Quando viajo gosto muito de comprar aquelas revistas femininas que falam de tudo um pouco e no fundo, no fundo, não falam de nada. Ele é conselhos de moda, conselhos sobre como ser melhor mãe, melhor mulher, melhor amante, melhor amiga, melhor tudo! E um dos conselhos que ontem davam às mulheres do século XXI que tentam fazer tudo e mais alguma coisa era não ir ao supermercado todos os dias.
Ora, quem é que tem tempo (e sobretudo paciência) para ir ao supermercado todos os dias? Eu não. Nem sequer de ir ao talho, à peixaria, à padaria e à mercearia, dependendo das necessidades.
Eu é logo tudo no mesmo lugar e (que as donas de casa com D maiúsculo me perdoem) de 10 em 10 dias. Mais coisa menos coisa...às vezes o intervalo é maior!
É que não há paciência para fazer lista, pegar nos sacos, pegar no carrinho (cada vez mais perro), encher o carrinho e começar a andar de lado com ele, carregar tudo no tapete e depois nos sacos, e depois carregar os sacos no carro para logo a seguir descarregar, e subir três andares a pé e ter que arrumar tudo e só aí perceber que me esqueçi de duas ou três coisas.
Bem, se calhar se fosse lá dia sim dia não, vá, o carrinho e os sacos não ficavam tão pesados. Nem tinha que perder hora e meia neste tram-tram. Eu sei. Mas pelo menos 45 minutos perdia de certeza e não tenho tempo, nem vontade, para isso.

foligno-viana-foligno

Já estou muito mais habitada a isto, é certo. Só este ano já me vi neste tram-tram sete vezes e ainda me vou ver mais uma. Mas o dia continua a parecer infinito quando tenho que:
Acordar às 6h e fechar a mala. Partir para o aeroporto. Despachar a mala. Esperar um bocado. Passar no controlo de segurança.Ir para o gate. Apresentar documento. Apanhar o autocarro. Entrar no avião. Descolar, voar e aterrar. Sair do avião. Apanhar outro autocarro. Esperar pela mala. Ir para os comboios. Apanhar o primeiro. Descer uma hora depois. Esperar outra hora. Apanhar o segundo comboio. E tudo isto para chegar a casa depois de 10 horas de viagem.
E hoje foi tudo muito calminho. Não houve atrasos nem complicações e daqui a hora e meia a minha jornada está a acabar.

Bebés, bebés, bebés

O meu sobrinho conquista-me a cada olhar, cada palavra, cada traquinisse. Faz de mim o que quer.
O passarinho da G. já me fala de dinossauros como grande entendedor.
A princessa da F. já viu a luz do dia (e é linda).
À minha volta é só mulheres grávidas.
E no outro dia dei por mim deliciada a ver as novidades dos Nenucos. Ele é cenários novos, roupinhas casual ou fashion, fraldas descartáveis, um sem fim de coisas novas!
Isto está a ficar preocupante, ai está está!

cinco do onze

Esta noite voltamos a estar juntos, num normal jantar de família. Estavas, como sempre, sentado ao meu lado. E como sempre íamos sendo interrompidos ao longo da nossa conversa. Falamos sobre filmes, fotografias, música e escolhas. Expliquei-te que tinha algumas dúvidas sobre as conversas anteriores e tu explicaste tudo. Senti o cheirinho da tua roupa lavada e o teu beijinho na testa. Estávamos todos tranquilos porque tu tinhas encontrado o caminho de volta.
Mesmo assim, às 6:30 acordei de sobressalto e não consegui voltar a dormir...
E agora estou a ir para Viana, que nunca mais foi (ou será ) a mesma...e já lá vão 11 meses.

Aconteçe que..

...esta manhã os meus pensamentos faziam tanto barulho que só percebi que vinha sem música no rádio do carro quando cheguei ao destino.

Sobre a ponte

Ontem foi domingo e amanhã é feriado. Quem trabalha hoje pareçe ter uma perna n'ontem e outra n'amanhã. Mesmo assim, em jeito de ponte. Mais valia que estas pontes fossem obrigatórias assim, quem tem mesmo que trabalhar, fazia sem ter que se deparar com esta multidão em slowmotion.

Oficialmente fora de forma #3

Só pode ser da idade. Não fiz nada de especial ontem, a não ser trabalhar de manhã e arrumar e limpar a casa à tarde. Nada de especial que me fizesse ter o ombro e braço direitos completamente bloqueados. E já me está a subir para o pescoço. Cada movimento é um ai. Deve ser da idade. Com 30 já não se pode dormir como calha. E eu adormeçi no sofá a ver um filme (mais um sinal da idade...ou não!) um bocado torta!

One more day *

One more day
Just one more day then I’m done
One more car ride and
One more rising of the sun

Then I’ll jump so high
Angels will catch my fall
I'll jump so high
Angels will catch my fall

I had my chance and I just showed it to the door
I won't apologize to myself anymore

So I’ll jump so high
Angels will catch my fall
I'll jump so high
Angels will catch my fall

One more day
Just one more day then I’m done
No more failures and
No more feeling alone

*Rosie Thomas

Será do Outono?

Já vim aqui várias vezes nos últimos tempos e começei a escrever coisas soltas. Arrependi-me, achei que não tinha sentido, que não valia a pena e acabei por não publicar. Nem acabar. Deixei pensamentos em suspenso, frases por completar, discursos por concluír.
Pensando bem, tenho agido assim com muito mais que o blog. Não tenho tido vontade para nada, sentido grandes estímulos. Parece que cada dia que começa já está mesmo a acabar. Que as horas são minutos e o tempo voa sem que o agarre. Ou o toque sequer.
Estou cansada, apática, desconcentrada. Não é tristeza, melancolia, nostralgia. É mesmo um deixar-me ir sem sentir...
Dizem que a mudança de estação tem destas coisas.
Assim espero.

De 5 a 13 novembro...

...estarei em terras lusas. Até lá toca a trabalhar que já falta pouco e as coisas para fazer antes da partida são mais que muitas.

Xinapá, tanto tempo!

Bom, bom para ficar 20 dias sem vir aqui escrever uma linha é ter várias entregas na mesma semana, festejar com os italianos os meus 30 anos (ao almoço com uns e ao jantar com outros), ir logo a seguir a correr para Portugal e festejar lá também, voltar num abrir e fechar de olhos para acabar tudo muito rapidinho e ir receber tugas ao aeroporto. Passar 9 dias a receber mimos do mano, da cunhada e do xulé da tia e depois recomeçar a trabalhar a todo gás.
Quer dizer, a toda a velocidade não está a ser que hoje não tenho vontade absolutamente nenhuma. E ainda por cima o tempo lembrou-se de mudar assim de repente e passar dos 30 aos 15 graus do dia para a noite, de maneira que estou um bocado constipada. Mas estou feliz. Desorientada com tanta coisa e tanta informação mas muito satisfeita. Até porque não há nada como o riso de uma criança para aqueçer a alma e lá nisso o meu macaquinho abunda de alegria! E eu abasteçi-me de beijos naquelas bochechas e festas naquelas orelhas e belisções naquela barriga e respiros naquele pescoço. Roubei-lhe o nini milhares de vezes e perguntei-lhe vezes sem conta quem é o xulé da tia só para ouvir infinitas vezes xou eu e dar-lhe mais um beijo. Desafiei-o para andar nos carroceis e saltar na cama, para passear, fazer uma corrida, um desenho, colar autocolantes e conversarmos. Mas quem me surpreendeu foi ele enchendo-me a casa de alegria e o coração com os seus abraços espontaneos e o seu linda tia! bonita! linda! tia bonita! linda! tiaaaaaa. 

E agora tia Rrrrita, como é que vais fazer?

La casa in via del Campo

Cantada pela Amália Rodrigues, embora aqui achem que é Rodriguez. Deve ser porque, para muitos Italianos, Portugal é uma região de Espanha, ou coisa assim!
De qualquer das formas, não deixa de ser uma grande coincidência que A fadista tenha cantado sobre uma casa na Via del Campo. E já agora, e também sobre Viana.

Estou mortinha que chegue hoje à noite...

...para poder ficar em casa sossegadinha.
É que desde a semana passada que não tenho parado. Com 4 entregas,  muito antibiótico, um calor africano (como aqui o chamam) e a abertura das Tavernas. De maneira que na semana passada andei a trabalhar como uma maluca quando devia ter estado em casa a descansar para recuperar bem-bem, no fim de semana não parei e desde segunda que não faço uma refeição em casa. Ele almoçar à pressa, jantar fora e voltar tarde. Claro que depois de um dia de trabalho sabe muito bem ir sair com amigos, mas...
Bem, digamos que estou um bocadinho fartinha disto, que as entregas já acabei e que hoje à noite ninguém me tira do sofá!

The sound of sunshine

Ainda não decidi se acho esta música muito pirosa ou super gira, só sei que me anima, como o sol, e é disso que eu preciso. Preciso muito. Por isso aqui vai!

Rrrita

Ter um sobrinho meia-leca, ainda de fraldas, que diz o meu nome à homem é comovente. Olá titi Rrrrita! assim, com os erres todos. Nada de Ita, Tita, que isso não é nome de gente. A minha tia chama-se Rita e portanto aqui vai disto!
Ah, Cameirinha valente! Sai à tia (babada)!

Oficialmente fora de forma #2

Isto deve ser dos antibióticos. Eu quero acreditar que sim. Só pode ser. Se não é muuuuuuuuuuuito preocupante.
É que ontem fui a pé do gabinete para casa, que são quê? 1,5 km? 20 min a pé? E hoje estou cheia de dores nas pernas. Mas tipo de quem esteve a fazer horas e horas de ginástica...
Só pode ser de estar há quinze dias a antibiótico, ou melhor, de andar a tomar bombas de mês a mês há quase um ano. Só pode ser disso. Não pode ser velhiçe! Ainda no outro dia me deram 24 anos...E quase 30 ainda são poucos, caramba!
Iamos a passear pela rua, debaixo de um sol abrasador, e, com uma espécie de festa-cocega, disse:
Minha Kuatinha!
Olhei para ele a rir e exclamou:
Ah, já sei o que queres para os teus anos!!! Mas vais ter que vir comigo à loja....
Ah sim? E onde é que vai viver?
Os óculos de sol novos?
Sim, também não me importo, acho que vou gostar muito, mas se tivesse pelo, quatro patas, uma cauda e orelhinas felpudas ia gostar ainda mais!

5-9

Nunca mais os meus sonhos foram como antes, como já uma vez disse. E a noite de hoje foi exemplo disso.
Fartei-me de ter sonhos agitados, confusos, e lá pelo meio não podias faltar tu.
Quando falo contigo, ouves-me de onde estás?
Não...nunca te ouvi a falar comigo. Não posso ouvir ninguém onde estou. Mas estou aqui agora, diz-me o que tens para me dizer!
Assim de repente não me lembro de nada...É tanto...Ou se calhar nada de especial.
Ah, então, se te sabe bem, continua a falar comigo, pode ser que um dia te ouça.
E começaste a ir embora, depois de me dares um abraço longo muito profundo.
Quando já te via bem lá ao longe lembrei-me:
Há uma coisa que quero saber! Qual é a tua password?
Mas tu já não me ouviste...

Com um nó na garganta levantei-me da cama e começei o meu dia com o pensamento fixo nesta conversa. Quando liguei o carro ouvi:
Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our minds*

Lembras-te? Uma vez disseste-me Este gajo era um génio! Já ouviste bem o que dizia? E então cantaste-me a letra toda devagarinho para que tivesse tempo de a traduzir...Nunca, como hoje, estas palavras tiveram tanto sentido para mim. Não posso deixar de pensar que, se calhar, ouvi-las logo de manhã é um sinal, e no meu sonho não me dizias a verdade. Se calhar, onde estás, consegues-me ouvir...

* Redemption song Bob Marley


do meu ser luso-italiana

Percebo que me estou a integrar neste país quando passar oito dias numa praia onde se tem direito a um único metro quadrado de pedrinhas para estender a toalha não me faz confusão.

Lembranças

Ontem o vidro do lado do condutor do nosso carro decidiu que estava cansado e ficou parado a meio do caminho. Queixou-se um bocado, devia ser do calor abrasador logo às 7:45 da manhã, e depois parou. E agora está ali, meio aberto, ou meio fechado, como se preferir. 
Foi por isso que tive de usar o carro da avó do Pi. Adoro o carrinho dela. Pequenino, despachadinho e com o mínimo indispensável para andar na cidade. Adoro também vê-la a guiar, toda ela em miniatura, com os cabelinhos todos brancos cortados à rapaz e com ar de quem está a fazer uma corrida de rali.
Mas não era este o ponto. O ponto era que ao conduzir este carro fui transportada para mais de vinte atrás quando andava no carro do meu avô Zé. O barulho do pisca, o som do saltirar do paralelo, a leveza das portas mas o pum seco quando se fecham. E depois começei a fazer uma viagem ainda maior. Dos dias em que iamos para a praia e que podiamos guiar à vez à chegada ao estacinamento da praia de Afife e ao largo de casa. Das longas idas a Salema e da pausa obrigatória para comer um frango assado maravilhoso. De estar no banco de trás em brincadeiras intermiáveis com os manos, e do barulho suportado com tanta paciência e um lindo sorriso no banco da frente.
E por fim dou por mim a pensar que posso lembrar estes momentos só com uma pessoa e não quatro e dá-me um imenso aperto no coração. Mas mesmo assim, vale sempre a pena recordar porque, como dizia a canção, recordar é viver. E manter vivos os nossos queridos no coração.

Tenho saudades de sonhar que voo

De quando me deslocava com braçadas no ar. Ultimamente só tenho sonhos agitados, complicados, angustiantes. Deve-se passar alguma coisa com o meu sub-consciente. Mas também com o meu consciente. Sei de que mal padeço, não tenho é muita vontade de o trazer à superfície. Enquanto está aqui, só comigo, está melhor. Ainda posso pensar que não é real.
Era bom, mas era só um sonho...e é esse o problema.

Hoje sim, estou de férias

Embora ontem já tenha acordado na casa de praia, despertei às 7:15. Foi então que percebi que o meu corpo ainda não tinha entrado no modo férias
Para resolver a questão o mais rapidamente possível, durante o dia andei mais de 20km a pé, deitei-me tarde e não dormi sequer a sesta na praia. 
Deu resultado. Hoje já acordei às 9:30. Só que tenho uma bolha no dedo mindinho do pé esquerdo...

Trabalhar por conta própria

No início, quando pela primeira vez se falou em ir de férias, dissemos que partiriamos sábado dia 6.
Mete-se uma coisa, mete-se outra, adiamos para quarta-feira dia 10. 
Hoje de manhã cedo o programa era trabalhar só mais hoje e amanhã acordar com calma, não deixar quase nada para fazer mas ainda continuar por aqui a resolver as últimas coisas e começar a entrar em modo férias.
O problema é que um engenheiro só se pode encontrar connosco quinta de manhã. Então toca a adiar a partida para quinta à hora de almoço. Para já. Ainda só são nove da manhã de terça, muita coisa ainda pode acontecer...Trabalhar por conta própria tem destas coisas. E não marcar hotel ou voo também!

Pior que estar doente

preocupada comigo mesma e a preocupar quem gosta de mim, é ouvir a sogra a dizer que da próxima vez que for ao médico quer vir comigo! Eu sei que o faz com a melhor das intenções mas eu nessas coisas não gosto nada de companhias. Nem os meus pais, quanto mais! O marido sim, esse pode lá estar. Ou melhor, deve! Para me dar a mãozinha quando começar a suar frio que eu detesto ir ao médico e dá-me sempre vontade de chorar antes de entrar. Mas agora a sogra? A sogra?
Alguém tem alguma sugestão para a despistar? Mas sem ofender os sentimentos que pior que uma sogra a participar na minha consulta é uma sogra de mal com a nora.

Já estou a melhorar

e pronto, em resumo era só mesmo isto que tinha para dizer!
Os pormenores da minha melhoria podem traumatizar as pessoas mais sensíveis portanto não me vou meter para aqui a falar sobre isso. Mas a verdade é que depois de vários dias a sofrer bastante hoje já estou mais alividiadinha. Ainda sinto qualquer coisa mas acho que só vou tomar mais hoje comprimidos para a dor. E hoje ainda vou seguir o conselho do maridinho (ou maridão) e ficar aqui sentadinha ou deitadinha. Amanhã também já não sei se aguento que isto é mesmo uma seca. Mas se calhar devia. Se calhar devia ter mais juízo e deixar de me armar em super-mulher e recomeçar a fazer a vida normal aos primeiros sinais de melhoria. Afinal de contas isto já se arrasta desde Outubro do ano passado e desde aí já fiz 7 ciclos de bombas (vulgo: antibióticos-hiper mega-potentes). O que dá uma média de 7 dias de antibiótico cada mês e meio. E algo me diz que isto não é nada bom. Não é não!


Garden State

Hoje finalmente vi o filme. Passavas a vida a dizer que não sabias como nunca o tinha visto e que, assim sendo, tinha que o ver.
A banda sonora acompanhou-me durante muito tempo, aconselhada por ti.  Cheguei a adoptá-la para a minha vida. Ainda hoje, quando ouço let go vejo-me a ir de bicicleta para o gabinete, começar a saltitar no paralelo da Papanata (ainda com árvores), olhar para cima e ver a luz do sol a vibrar entre as folhas. Acredito que esta música ficava mesmo bem neste cenário. Acho que até te cheguei a dizer isto. Se não, digo-te agora. E que tinha mesmo que ver o filme. Que o queria mesmo ver, isso tenho a certeza que te disse.
E foi o que fiz hoje.
Adorei. Não sei como demorei assim tanto para o ver. Pensei imenso em ti. Em todas as horas que passavamos a falar dos filmes que vias e que de certa forma ficavas obcecado. Eras um bocadinho chato sabias? Mas eu aguentava-te. E aguentaria ainda hoje. E nunca mais acharia uma seca...Não que achasse antes, embora às vezes fizesse só de conta que te estava a ouvir. Mas tu sabias disso. Nunca achei muita piada ao Memento e tu insistias demasiado com esse.
Bem, de qualquer forma, vim aqui só para te dizer que vi Garden State e gostei mesmo muito. Tinhas razão quando dizias que ia adorar. 

Correndo o risco de me tornar repetitiva

ontem lá fui eu de novo ao médico, lá me foi diagnosticada a mesmissíma coisa, lá recomeçei outra vez com os antibióticos e as pomadas e mais sei lá o quê...M***A

Shimbalaiê*


Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, toda vez que ele vai repousar

Natureza deusa do viver
A beleza pura do nascer
Uma flor brilhando à luz do sol
Pescador entre o mar e o anzol

Pensamento tão livre quanto o céu
Imagino um barco de papel
Indo embora pra não mais voltar
Tendo como guia Iemanjá

Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, toda vez que ele vai repousar

Quanto tempo leva pra aprender
Que uma flor tem vida ao nascer
Essa flor brilhando à luz do sol
Pescador entre o mar e o anzol

Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, toda vez que ele vai repousar

Ser capitã desse mundo
Poder rodar sem fronteiras
Viver um ano em segundos
Não achar sonhos besteira
Me encantar com um livro, que fale sobre vaidade
Quando mentir for preciso, poder falar a verdade

Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, toda vez que ele vai repousar
 *Maria Gabú

Verão? Só semana sim semana não, que é para não cansar...

Chove copiosamente lá fora. O céu está fechado e com ar de quem não nos dará trégua tão cedo.
Está frio e muito humido. Saio sempre de casa com casaco, e calças, e sapatos fechados. 
Estar aqui no gabinete com as luzes acessas, a ouvir os carros a passar no chão molhado dá vontade de beber um chá quentinho, e transporta-me até lá mais à frente, ao Outono.
A única coisa que me faz lembrar que estamos em pleno Verão, é a burra da mosca chata que não para de voar à minha volta. Ou melhor, de burra não deve ter muito. Entrou comigo aqui para o quentinho ontem e ai de quem a queira daqui tirar. O que vale é que só têm três dias de vida estas sacaninhas. Amanhã já cá não deve estar.

Já temos voo para ir a Portugal em Setembro

Agora já só falta decidir como quero festejar os meus trinta aninhos!

Como ter um ataque de nervos em Itália.

Depois de ter esperado quase dois meses a seguir à entrega do trabalho para ser paga, achei por bem pegar no carro e fazer 20min para chegar ao gabinete e reinvindicar o que era meu e que provavelmente já teria direito a juros. E digamos que só estar em suspenso assim tanto tempo e ter que pressionar para receber já é chato quanto baste.
Mas voltando a nós, espero outros 20 min e  lá volto eu com o meu cheque para casa, onde chego 20 min depois.
No dia útil seguinte vou ao meu banco para depositar o cheque. Sim, porque aqui não é possivel depositar um cheque de outro banco directamnete no multibanco. E mesmo para fazer uma operação do género o banco tem que estar aberto porque o multibanco que aceita depósitos está lá dentro. Espero meia hora para perceber que como o cheque é de outro banco teria que pagar juros e mais não sei o quê e me iriam chupar no mínimo uns 50euros. 
Decido ir ao banco do cheque. Chegada lá (que por sorte era mesmo em frente ao meu!) descobro que o cheque é de outra filial e portanto têm de ter autorização para o levantar e ainda fazer uma ficha minha com direito a fotocópia de documentos e tudo. Mas pronto, ao fim de mais de 30 min lá me deram o dinheiro.
E lá vou eu de novo ao meu banco para depositar o dinheiro na minha conta, desta vez lá no tal multibanco, para eles supersónico!
Com esta brincadeira toda gastei duas horinhas boas do meu tempo e muitos suspiros de paciência. E o pior é que para eles, os italianos, tudo isto é normal, é assim e pronto. Paciência.

Do tempo

Que voou esta semana entre trabalho no gabiente e em casa.
Que está maluco porque dividivo entre calor infernal e chuvas torrenciais.
Que faz 7 e 17 anos parecer tanto e nada simultaneamente.
Que parece ajudar mas no fim das contas não faz nada por nós se não formos nós a querer que faça.
Que  parece que abranda quando vou a Portugal para depois repartir a todo o gás no regresso a Itália.
Que passa por todos mesmo que não queiramos aceitar.
Que tem sempre um fim mesmo que nos convençamos do contrário.
E que muda, me muda e vos muda. 
E que é preciso aproveitar todo o que temos e vivê-lo o melhor que sabemos, para que os minutos que gastamos sejam depois reconhecidos como os do nosso tempo.

Um beijinho e um xi-coração de parabéns


ao melhor pai do mundo, o meu! Sei que é um lugar comum, mas é verdade. Se não vejamos: é carinhoso, atento, presente, compreensivo, amigo, conselheiro, inteligente, mimado, .... é preciso mais?
Sabe pendurar quadros, cortar a relva, e fazer todas essas coisas qual homem da casa. Mas também sabe cozinhar (e muito bem por sinal!), aspirar e arrumar. Faz o que é preciso e sabe de tudo um pouco e portanto, em 29 anos de vida, nunca fiquei sem respostas. E, sobretudo, nunca me senti perdida, tendo nele sempre o meu norte. 
E ao papà baffone não vai nada, nada, nada,
TUDO!

Dizem que o tempo cura tudo

é mentira.

Oficialmente fora de forma

No sábado tive o segundo casamento da época de casórios deste ano e fartei-me de dançar (foi muito divertido, a propósito).
Desde domingo que tenho uma dores de gémeos que não aguento! Eu até posso desculpar-me dizendo que estava com tacões e tal e coisa, mas a verdade é que estou mesmo em baixo de forma. Uma vergonha!

Afinal 39º é que é mesmo muito mau

e muito dificil de aguentar.
E nada de pensar que à noite fica mais fresquinho. Quer dizer, fica mais fresquinho, mas são sempre uns 32º e com TUDO a irradiar calor. Um desespero. Assim não se pode!

36º

Isto de viver numa cidade onde muito frequentemente fazem 36º graus de temperatura, com humidade o que ainda dá a sensação de mais calor, para uma piegas como eu não está com nada. Nadinha.
Já estou farta de andar com a tensão baixa, suar, estar cansada e sem capacidade de raciocinio a partir das cinco da tarde.
Será que este calor vai demorar muito a passar?  

Sabes que dia é hoje?

O maridinho está-me sempre a dizer que não sabe como faço para decorar tantas datas, tantos acontecimentos, tantos aniversários. E que de cada vez que lhe pergunto Sabes que dia é hoje? treme porque ele, ao contrário da sua querida, nunca se recorda! Mas não faço nada de especial, não marco em agendas ou escrevo em algum lugar específico. Lembro-me e pronto. E consigo reviver situações e sentimentos. Rever-me no tal dia, na tal hora, como se saisse do meu corpo e flutuasse. Sim, é preciso ter um grande poder de abstracção para o fazer, eu sei, mas pronto, é assim que acontece comigo!
E hoje faz exactamente 5 aninhos que o Pi partiu para Itália. Há 5 anos atrás estavamos a viver o nosso último dia de namoro no Porto para começar uma história à distância. E ficamos assim, separados, por mais de ano e meio. E agora estamos casados.
Fomos conquistando tudo devagarinho, consolidando sentimentos, situações e a nossa relação. Ainda temos muita estrada para andar, mas também já valeu muito a pena chegar até aqui!
Hoje recomeçei a trabalhar. Como me esqueçi da frutinha para o lanche de meio da manhã, lá fui eu comprar umas maças para ter aqui no gabinete e não consegui resistir a umas bolachinhas. Não são daquelas com chocolate ou cheias de calorias, e o pacote até é pequeno, e portanto pensei que não teria muito mal. Até porque estive a tomar outra bomba de antibiótico e é bem que ande bem alimentada. O problema é que eu já sei como sou e de cada vez que me levanto para ir à casa de banho (e são muitas vezes, só até agora já bebi mais de 2 litros de água) lá vou eu abrir a caixa das bolachas para tirar só mais uma...
Pelo andar da carruagem, daqui a 2 dias já recuperei o quilo perdido com a doença e ganhei mais uns quantos! 
No sábado fui a um casamento que podia ser o dos meus sonhos.
Decidiram casar numa capelinha muito pequenina e amorosa a meio caminho entre a casa dos pais de um e do outro e mesmo ao lado da casa que estão a construír para eles, fazer o copo d'água no jardim da casa dos pais dela, com duas mesas compridas, tudo com um ar muito campestre e familiar. Estava tudo muito simples e bonito e a noiva até levava um grande chapéu em vez do véu.
Dia 2 de Julho aqui em Foligno é sinónimo de muito, muito calor e sol. E tinha sido assim até ao dia anterior. Tinham pensado nos abanicos, na pégola de panos brancos para fazer sombra nas mesas, num menú fresco e no corte do bolo perto da piscina, não fosse alguém querer dar um mergulho.
Só que neste 2 de Julho choveu muito. Mas assim tipo diluvio. Mas tanto que até caiu granizo.
A metade dos convidados que ficou fora da capela ficou molhada (eu incluída) e deixou de conseguir seguir a missa porque as colunas começaram a soluçar. O arroz para lançar aos noivos ficou empapado e o vestido da noiva cheio de lama. As mesas e cadeiras do aperivo não se salvaram e os 170 convidados ficaram todos debaixo de um alpendre. Teve que se montar uma grande tenda rapidamente mas mesmo assim o espaço era pouco para tanta gente e mesa e cadeira. A organização que eles tinham feito dos lugares ficou descombinada. Os empregados não conseguiam passar bem entre cadeiras para servir. E estavam todos molhados de fazer o percurso entre a cozinha e a tenda à chuva. E o chão estava cheio de lama. As toalhas humidas e as cadeiras escorregadias.  As flores murchas. Um desastre...
Mas apesar de tudo os noivos estavam muito tranquilos e felizes. Devem ter percebido que não se deve esperar muito da vida, já que esta nunca é como imaginamos.

Ontem, mais uma vez, lá fui a correr para o médico.

Estou outra vez com a glândula inflamada, super inchada. E febre, desta vez tenho febre. Não febre de estar de cama, mas daquela febrinha estúpida que deita abaixo e não passa nem por nada. Os tramados 37.5...
Ontem ainda fui trabalhar. Ainda estive entre desenhos e reuniões até às 19:30. Trabalhar por conta própria tem destas coisas, hoje estou em casa sem ter que dar satisfações a ninguém, mas ontem ninguém me podia substituir numa reunião inadiável...
Já estou outra vez a tomar antibiótico, daqueles potentes em injecções, e a meter pomadas e anti-inflamatórios e fermentos e mais sei lá o quê. Tenho outra vez a casa transformada numa farmácia...E não sei se é porque a última vez que me aconteceu foi no inicio de Dezembro e já a bactéria andava fraquinha à conta dos dois ciclos de 10 dias de injecções que tinha tido antes, ou se eu já não me lembrava da dor. Mas a  verdade é que me doi muito...M***A

Pensamentos de uma emigrante

Nunca uma ida a Portugal é igual à outra. É diferente o que vou lá fazer, o tempo que vou estar, a época do ano, o meu estado de espirito, o que encontro, quem encontro, como encontro. Por uma razão ou por outra, nunca saí de lá a pensar E pronto, foi mais uma vindinha à terrinha. A vindinha do costume.
E portanto voltar a Itália também é muito diferente.
Já senti muito medo, quando aterrei pela primeira vez. Já senti a alegria imensa de quem volta a casa. Já senti uma força muito grande que me empurrava de novo para o avião. Já senti um grande cansaço depois de um dia inteiro a viajar (muito embora no avião só tenha estado três horas). Já sorri quando voltei a ouvir italiano e já me senti irritada quando me deparei de novo com a chico-espertiçe deles. Já senti uma estranha sensação de normalidade no que estava a fazer. E já ouvi dentro de mim a pergunta o que estás aqui a fazer?
Desta vez, sou sincera, saí de casa com imensa vontade de não deixar o Pi sozinho. Mas, na hora de voltar, pensei que Até era bom se o voo fosse cancelado. Queria ficar em Viana só mais um bocadinho assim. Justo o tempo que era preciso para poder voltar a percorrer aquelas ruas a pé, para sentir mais uma vez a areia  a escaldar nos pés, para cheirar o vento salgado, para conversar mais um bocadinho, para estar no jardim a apanhar sol, para acordar a minha mãe e tomar o pequeno-almoço com ela, para dar uma volta com o meu pai e para ser mimada pela Kuata. E claro, tinha que ficar o tempo que fosse preciso para comer as bochechas do Vasco e abraçar o João. Se calhar foi mesmo isso que ficou a faltar, desta vez...

A dieta #5

O marido gostou. Prova superada!

A dieta #4

A primeira semana de dieta, a mais rigorosa, já acabou sexta-feira. Assim como as massagens.
Agora esperam-me três semanas de dieta moderada para manter o peso obtido.

Resultado: perdi os dois kilos que queria, embora tenha pecado sexta à noite (com um mini bolo e uma caipiroska pequena) e sábado à tarde com o lanche do Guilherme (ele foi croissant, rissóis, croquetes e o mega bolo de chocolate com chocolate). Algo me diz que já os recuperei...
Ainda tenho as pernas com negras da massagem e portanto não consegui ver bem os resultados.

Conclusão: amanhã vou ser avaliada pelo meu maior juiz, o meu marido, e depois conto a sentença!

 

Sabia que tinha saudades

mas nunca pensei que tinha tantas. E a verdade é que um fim-de-semana de praia, da minha praia, soube-me mesmo bem. E estava a precisar! Acho que já não metia o pé na areia da praia da Mariana há mais de dois anos, e julgo que o meu último mergulho no meu mar tinha sido há quase três. É muito tempo. É tempo demais. Já nem me lembrava quanto era bom sair da água fria e sentir o corpo todo realmente fresco e quase tonificado. Em Itália não há nada disto...e amanhã já vou voltar para lá. Para uma nova etapa. Ainda bem que recarreguei energias estes dias, vou precisar.

Diz-se que o carácter de uma pessoa se vê nos momentos difíceis.

Que o amor ou amizade que têm por ti também.
Eu não acredito nisso. Acho que o feitio de cada um está sempre lá, é sempre o mesmo e é muito difícil que mude com o tempo. Pode amaciar, pode ser camuflado, mas é sempre o mesmo. 
Agora olho para trás a pensar em quem tanto me desiludiu nos últimos tempos e vejo que os sinais sempre lá estiveram, era eu que não queria ver. O silêncio que sinto agora, porque não procuro, era o mesmo que sentia quando procurava. Só que como metia mãos à obra acabava por obter resultados. Ou achava que sim...
Quem está contigo nos momentos maus, está contigo nos momentos bons. E tu tiveste oportunidade de estar comigo em situações péssimas e óptimas nos últimos tempos e não estiveste em nenhuma. Burra fui eu em esperar mais de quem já dava tão pouco.

A dieta #3

Não sei se é só da dieta. Provavelmente não é. As massagens drenantes que ando a fazer também devem ajudar bastante. E passear a cadela todos os dias. Mas a verdade é que hoje já pesava menos meio kg! E já falta pouco, muito pouco. Isto é só mais dois dias e meio e está feito.

black swan

Há gente muito maluca...

A dieta #2

Ora bem, sábado de manhã comecei a minha dieta de três fases. A primeira era a depuração, como disse. E correu bem, apesar da fome sentida no segundo dia. 
Não é daquelas dietas exageradas, em que não se come nada durante dias e dias. Não teria paciência nem força de vontade para isso e, sinceramente, também não acho que precise. Não sou gorda, também não sou magra, sou normalzita, pronto! E meter-me para aqui a sofrer durante dias e dias não me parecia o caso.
De maneira que a primeira fase de depuração dura dois dias, a segunda de estimulação do metabolismo três e a terceira de dieta hipocalórica equilibrada outros dois. Passa rápido e, para além dos dois primeiros dias em que praticamente que só se bebe chá e come legumes e fruta, até se come coisas boas e bastante. E a verdade é que logo na manhã do segundo dia, quando me pesei, já tinha perdido um kilo!
Fiquei muito feliz e entusiasmada, mas parece que isto é mesmo muito equilibrado e agora a balança não mexe mais há dois dias...Claro que sei que isto de perder peso muito depressa não é bom e bla, bla, bla, e nem queria perder muito mais do que 2 kg até porque tenho anca e ombros largos e abaixo dos 47 kg fico um bocado mal, convenhamos, assim com as pernas muito separadas! Mas confesso que quando, ao fim de um dia, vi que já tinha perdido alguma coisa, fiquei com vontade de ver resultados todos os dias. 
Mas parece que vou ter que ter paciência. E andar mais a pé também!

Está escrito nos nossos genes. Os homens são caçadores e as mulheres coletoras. Ir às compras é uma forma de recolha.

Foi o que li num livro (ou qualquer coisa do género que o meu One Fifth Avenue está escrito em italiano), e é verdade.
Não me considero uma mulher fútil, mas não há nada como ir às compras para animar a malta! Não sou, também, daquelas mulheres que entra e sai de todas as lojas e vê tudo, tudinho. Gosto de sair de casa com a intenção de recolher, sim, mas vou só àquelas duas ou três lojas que sei que têm o que gosto.
Sábado de manhã, como é habitual quando estou em Viana, fui dar uma voltinha pela cidade e lá dei por mim à frente de uma dessas lojas. Entrei, recolhi uma data de coisas para provar e escolhi. Voltei eu para casa toda consoladinha e, mesmo estando pouco agasalhada, sentia-me quentinha, confesso.
Quando falei com o meu marido contei-lhe que tinha visto dois vestidos super giros e ele, na sua inocência, achava que ainda não os tinha comprado. Achava que só tinha ido estudar a presa, ver como se poderia adaptar ao meu corpo e se teria alguma utilidade. É claro que já estão recolhidos, os dois mais uma t-shirt, e pendurados no meu armário. Eu já fiz a minha parte, agora alguém vai ter que caçar, ou trabalhar!

É amanhã que começo a minha dieta!

Hoje cheguei a Portugal e já estou com a habitual dor de barriga. Não sei se é a diarreia do viajante se o que é, só sei que pouco depois de voltar à terrinha os intestinos me começam a funcionar bem demais e as cólicas são frequentes. Se calhar é da água!, é o que me dizem...Hummm, dúvido. Tenho cá para mim que é o meu corpo que entra em depuração natural de cada vez que aterro.
E é por isso que a partir de amanhã vou dar ouvidos à sábia natureza e começar de livre e espontânea vontade uma dieta de três fases. E claro, a primeira é a depuração. 

cabelo liso vs cabelo aos caracóis

Hoje de manhã estava eu a vir de bicicleta, num jeito muito primaveril, para o gabinete, quando sinto qualquer coisa a cair numa onda do meu cabelo com permanente. Abano um bocado a cabeça na esperança que a coisa caia por terra quando começo a ouvir um zumbido. Abano mais um bocado e o zumbido é cada vez mais forte. Uma abelha perdida nos caracóis não! E começo desesperadamente a rodar a cabeça de um lado para o outro com toda a força e velocidade que tenho no corpo (sem parar a bicicleta, claro, não fosse o vento ajudar a livrar-me da maldita) quando os meus óculos de sol começam um voo acrobático até aterrarem no chão com uma lente meia fora e meia dentro do aro.
E foi assim que cheguei à conclusão que a natureza é sábia e às pessoas histéricas mete-lhes o cabelo liso, não vá alguma coisa ficar presa nos caracóis!

O inseto lá desapareceu, mas provavelmente agora arrisco-me a que me entrem pelos olhos. Também já me aconteçeu. Sei que pareçe estranho mas é verdade. E também já comi um, igualmente a andar de bicicleta. Agora vou sempre de boca fechada. Isto está-se sempre a aprender, é o que dizem!
Agora que penso nisso, um capacete poderia ser a solução para todos estes problemas, mas tinha de ser daqueles bem fechadinhos!

O amor

Queria ter escrito no dia 12. Queria, três meses depois, ter falado do dia no meu casamento, assunto que tenho pena, agora, passados uns tempos, não ter explorado mais aqui neste cantinho.
Para dizer a verdade tenho pena de não ter deixado aqui resgistado toda a organização do evento, das dúvidas e certezas, das chatiçes e das alegrias. Foram meses intensos, de sentimentos muito contraditórios e, infelizmente, as tristezas têm têndencia a ocupar muito, mas muito mais espaço que as alegrias.
Não sei se é bom ou é mau, sei só que é assim mesmo. No exacto momento em que chegou a notícia mais triste da minha vida estava a cronometrar quanto tempo tinha que dedicar a cada lembrança dos convidados, para ver se valia a pena ser eu a fazer ou não. E de repente nada fazia sentido. Nada. Os convites que tinha acabado de enviar chegariam a todos os convidados no dia seguinte. Houve quem me tivesse dito é sinal que a vida continua. E a verdade é que tinha razão, mas a minha mente confusa nessa altura conseguia ouvir muito pouco...
E foi assim que a história da preparação do nosso casamento ficou para sempre ligada à morte do meu irmão. Contra isto não podiamos fazer nada. Só lembramo-nos que até aí ele tinha sido o nosso confidente, o nosso braço direito na organização. Tinha a música e a imagem a seu cargo. Era a ele que pediamos os mais variados conselhos e, portanto, foi quem me ajudou a decidir mudar a data numa manhã em que estava sozinha Assim tens duas datas para festejar e eu celebro os meus anos! Vai ser bom, é inicio da primavera, é uma época feliz! Muda, muda a data! E mudamos. E não lhe voltamos a tocar porque tinhamos a certeza que querias muito este casamento.
Acabei por ter a semana anterior ao casamento pautada pelo teu 3º mês e 28º aniversário nunca festejado. E não te ter abraçado no fim da cerimónia, nem ter dançado contigo no centro da pista a partir tudo como imaginámos.
Mas estavas lá, e lá estou eu outra vez a falar do meu casamento ligando-o a ti. E não quero. Quero ligá-lo unicamente à felicidade de ter casado com o Filippo.
E com isto quero voltar ao que me trouxe aqui no inicio, para escrever este post. Que era ter estado meses a pensar no lugar para a festa, na decoração, nos dicionários, no problema das duas línguas, na deslocação e alojamento dos italianos, no vestido, sapatos e adereços, na maquilhagem e penteado, no menu, nas lembranças, nas dedicatórias, nos convidados, nos convites....tudo tinha que estar perfeito e muitas coisas não eram exactamente como tinha imaginado, como queria. Demasiadas. Mas neste percurso percebi também que a vida nunca é como imaginamos.
Mas chegado ao fim o dia que, contra todas as expectativas, foi o mais feliz da minha vida, cheguei à conclusão que nada disso tem importância. O espaço não era o dos meus sonhos. Foi o que de melhor se arranjou perto de Viana, por causa dos italianos, sem degraus, por causa da mãe da noiva, pequeno por causa dos 70 convidados, com vista para o mar por causa dos noivos. O tempo não era o que tinha imaginado porque choveu o dia todo. A música foi o que foi, não se sabe se porque o dj foi arranjado dois dias antes ou se porque o senhor da quinta estava sempre a pedir para meter mais baixo. No entanto, no dia seguinte ninguém me falou disso. Mas nem sequer do bem que se jantou, ou da beleza da decoração, ou do giro que estavam os dicionários. Toda a gente falou do nosso amor.
Do meu amor pelo Pi, e do dele por mim. Toda a gente nos falou exactamente do que nos reunia ali. O Amor. E então percebi que os cabelos brancos que me apareçeram durante os últimos três meses de preparação no fim das contas não valeram a pena, porque o nosso amor sempre lá esteve. E para que o dia fosse perfeito bastou-nos pura e simplesmete ser nós próprios.

Oh pá já me começo a chatear...

Pelos vistos falei cedo demais. Já desde ontem que os dias voltaram a estar tristes, cinzentos e os aguaçeiros fortes muito frequentes. Sei que nos últimos post só tenho falado do tempo, um tema do qual se devaneia quando não se tem mais nada para dizer. Mas a mim o tempo preocupa-me. Não me vou meter aqui a dissertar sobre as mudanças climáticas, embora seja uma problemática muito inquietante. O problema é que sou meteopática e esta coisa de não ver o sol durante dias e dias chateia-me e muito...

E prontosssssss

hoje já está um calor de morte às 8.30 da manhã, o céu azul, azulzinho e o sol a brilhar.
Se alguém conseguir entender isto que me explique!

Mas será que o sol ficou tímido?

Já não vejo o sol brilhar há mais de uma semana. Só chove, só vejo nuvens cinzas e mesmo quando começam a ficar brancas nunca se largam. Estão sempre ali todas coladinhas. Devem estar na amêna cavaqueira. Ou, se calhar, a conspirar. Sim, porque sair do gabinete e ver o céu com um ar inocente, de um branco cândido e de repente ficar antracite e começar a chover torrencialmente é obra de quem anda a conspirar contra qualquer coisa. Ou então as nuvens estão todas com TPM! Aparentemente não se passa nada mas de repente ninguém se salva, com direito a relâmpagos e trovões e tudo. Coitado do sol no meio disto tudo, deve ser um homem com muita paciência!

Tenho cá para mim

que devia ter continuado a dieta que devia ter começado há uns tempos com o meu maridinho. É que mesmo sem fazer o minimo esforço, acho que já engordei um bocadote. E para quem está com o Verão à porta (mesmo que insista em fazer caretas, mais tarde ou mais cedo ele chega...) isso não é nada bom. Ai não é não...
Não me lembro do dia em que te conheci. Era demasiado pequena. Mas lembro-me de ti sempre, da tua presença em toda a minha vida. Das discussões, das confissões, das lutas, das disputas, da cumplicidade própria de quem tem quase a mesma idade.
Nestes 6 meses não tenho feito outra coisa que não seja lembrar-me. Lembrar-me dos dois dedos de conversa diários na chat, das críticas com poucas palavras, do cheiro da tua roupa lavada, dos segredos sussurrados na cozinha, das festas nas orelhas e do beijo na testa. De sentir o cachaço a ser apertado, do sorriso malandro, do oh, dos ciúmes de quem quer e não quer saber. Do entusiasmo com uma nova paixão, do regresso ao passado (sempre), das perguntas em tom desinteressado com tanta vontade de explorar. Sinto saudades dos olhos cor de mel, das unhas roídas, dos dentes um bocado muito amarelos, do pipinho e dos pés descalços.
Olho para trás e lembro-me de tanto. De todos esses momentos passados juntos. Acontecimentos felizes, infelizes, normais. De tanta coisa vivida em conjunto. De tantos sonhos e medos confessados, conquistas e derrotas partilhadas... Eramos muito amigos, o facto de sermos irmãos só tornou o nosso amor num amor incondicional. Fizéssemos o que fizéssemos, acontecesse o que acontecesse, eramos sempre um do outro.
E agora que me deparo com este vazio chego à conclusão que sim, que tudo isto me fará imensa falta. Que terei que aprender a viver com o vazio que criaste. Mas que o que me deixa profundamente triste é saber que nunca mais vou poder partilhar contigo nada da minha vida. Que o último Natal foi mais vazio e que faltará sempre uma parte por mais que a família aumente. Que casei e tu não estavas lá, mesmo ao meu lado, nem dançaste como um maluquinho no meio da pista. Que nunca a voz doce do Vasco vai dizer é o titio quando te vir aparecer do outro lado da webcam como agora mesmo me fez....
E hoje é outra vez dia 5. E hoje é outra vez domingo. E hoje chove outra vez .
E eu penso que é esta falha no futuro que me deixa realmente triste. Seja que dia seja da semana, dia 1 ou 31, Janeiro ou Dezembro, faça chuva ou faça sol.

Metade *













Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

*Oswaldo Montenegro

Contradições

Hoje é feriado aqui em Itália e nós viemos trabalhar.
Tem lógica. O gabinete é nosso, temos trabalho, é quinta-feira, está mau tempo, trabalhamos.
O que não tem lógica nenhuma é não ter vontade nenhuma para estar aqui. Não sei se é o silêncio lá fora, se é saber que toda a gente está a descansar, se pensar que a maioria fez ponte, se o que é, mas eu só queria mesmo era estar a dormir!

Blog vs Facebook

Tenho andado a pensar...e gosto muito mais do blog que do facebook.
Acho que, depois de um periodo intermitente, vou voltar a estar mais por aqui. É mais discreto, mais familiar, mais meu.
Estou farta do facebook e de saber de tudo através dele. De ver os sentimentos mais intimos escarrapachados no mural. De se ter tornado uma fonte figdinea dos mais disparatados scoop. E mesmo das noticias mais tristes. Se está no facebook então é verdade.
Fartei-me, pronto. E ponto final.

Inverno - Verão

O meu corpinho não aguenta esta passagem repentina do Inverno para o Verão.
Não tenho tensão arterial para isto de maneira que ando muito cansadita, sempre arrastadita e molenguita. Em fim de contas, muito pouco Rita Catita.

Encontros

Passar 5 meses quase sem te ver e de repente ver-te todas as noites, falar contigo, abraçar-te e dar-te muitos beijinhos, é obra.
Nem sei bem como reagir.
É tudo tão real que arrepia.
A voz, os gestos, o cheiro, a presença.
Li que é uma forma do subconsciente aprender a lidar com a perda. De a assimilar. De aceitar.
Deve ser.
Não sei.
Só sei que é muito bom encontar-te mas muito triste acordar.

Coisas da vida

Isto de começar uma dieta para fazer companhia ao marido que engordou 4 quilos em três dias não é solidariedade, não é burriçe, é mulheriçe! Só uma mulher faz uma coisa do género, fosse o caso contrário e ele continuava a comer chocolate, beber cerveja e a não mexer um dedo...


E quem se lixa é o mexilhão: almoçei salada e agora estou cheia de fome!...

Inspiração

Já passou um mês desde o nosso casamento. Não sei se é muito, se é pouco, sei apenas que aconteceram muitas coisas!

Não a nós, noivos, nós só estivemos, depois do casamento, 3 dias dias em Viana. E depois de fazermos escala de umas horas em Itália partimos para 15 dias de lua-de-mel em Cuba. Depois voltamos e arrancamos com o trabalho, mas sempre com a cabeça ainda lá no dia 12 de Março porque ainda contianuamos a festejar e a receber os votos de felicidade...

Acontece que o tal acontecimento que marcou a nossa vida, foi um momento muito inspirador e teve consequências na vida de muitos! Ficamos muito felizes, claro, que um acontecimento de algumas horas possa ter mudado o curso do ultimo mês para tantos convidados e sobretudo a sina das suas vidas! Ele é quem foi morar junto, ele é quem descobriu estar à espera do primeiro filho e ele é a menina que recebe o meu bouquet ser pedida em casamento!

Que maravilha ser fonte de inspiração! E muita felicidades a todos!

Foquinha,

Fazes falta, sempre. Tenho imensas saudades e às vezes parece que não tem grande sentido continuar a fazer o que fazia. A vida passa a parecer uma sequência de dias, de gestos quotidianos, onde nada parece ter grande valor....

Mas depois começo a reagir, a viver o que deve ser vivido, a andar para a frente e a construír uma nova existência onde sinto sempre a tua falta mas tendo a certeza que assim deve ser porque também assim tu quererias.


E por isso casei. Continuando a fazer o que desejava, e sabendo que te sentirias muito feliz. Por mim, por nós. Gostavas muito do Filippo, davam-se bem. E, caso não tenhas visto tudo, digo-te que terias ficado muito orgulhoso do teu cunhado!


Foi um dia muito bonito, apesar da chuva. Parecia que havia qualquer coisa no ar que nos fazia estar ligeiros, simplesmente felizes do que estavamos a fazer e contentes com o ambiente que se criou. Gosto de pensar que eras tu...


Um beijo da tua manainha,

Rita
No outro dia ia casar em Portugal. Os sapatos tinham ficado em Itália e o vestido estava muito comprido. Faltavam poucas horas para o grande acontecimento e estava calma. Tinha um peixinho que me dizia que tudo ia correr bem. Que tudo se resolve. E todos à minha volta estavam felizes e satisfeitos muito embora estivessemos todos, os cinco, sempre a subir e a descer as escadas lá de casa na esperança de ver os sapatos. Mas sabiamos que estavam em Foligno.
O Afonso repetia que tudo se resolve e eu continuava tranquila.
Depois acordei e percebi que há coisas que não se resolvem. Muito embora pudesse casar descalça.

Eu juro, mas juro...

...que se isto é mais uma das tuas brincadeiras estúpidas, daqueles sustos em que me deixas o coração aos pulos, o desespero nos olhos e a cara toda lavada...
...juro que nunca mais te chamo palerma.